EDITORIAL
A X Cúpula Ibero-americana se reúne amanhã e sábado, no Panamá, para tratar dos problemas da infância e da juventude no continente, tendo como base uma terrível estatística: mais de 200.000 crianças morrem a cada ano, antes dos cinco anos, nas Américas, por causa da desnutrição e doenças que poderiam ser facilmente prevenidas ou tratadas, segundo estatísticas da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), com sede em Washington. As infecções respiratórias agudas, as diarréias e a baixa resistência provocada por carências alimentares são as três principais causas dessas mortes, e 96% delas se concentram nos países mais pobres da região, onde a taxa de mortalidade é superior a 30 por mil nascidos vivos. Nos mais ricos, Estados Unidos e Canadá, a taxa de mortalidade entre menores de cinco anos é de 8,8 e 7 por mil, respectivamente.
O diretor da OPS, George Alleyne, destacou, em pronunciamento feito no último dia 12 de outubro, em reunião de ministros da Saúde da região, na Jamaica, que a pobreza persistente é o maior problema e que, em muitos casos, determina o fracasso na conquista das metas para a melhoria da saúde. Alleyne frisou que 40% da população da América Latina e Caribe sobrevivem com rendas de dois dólares por dia ou menos, confirmando que a pobreza é o maior impedimento para o acesso aos serviços de saúde. Ainda mais chocante, relatou, é a desigualdade crescente em matéria de saúde entre os ricos e os pobres da região. O dirigente assinalou que a prevalência de doenças infantis é maior entre os pobres, as pessoas com baixo nível de educação, os camponeses e os indígenas.
Ainda que a mortalidade infantil tenha diminuído em todos os países da região nas últimas décadas, a OPS acredita que o número de mortes poderia ser reduzido pela metade em quatro anos se melhorassem as condições de nutrição e as medidas preventivas contra doenças transmissíveis. Com esse objetivo, a OPS, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançaram um plano de Atenção Integrada às Enfermidades Infantis, conduzido pelos Ministérios da Saúde. Um dos elementos básicos do plano é difundir a necessidade da alimentação exclusiva com leite materno no mínimo nos primeiros quatro a seis meses de vida, providência que, segundo a OPS, aumenta muito suas possibilidades de sobrevivência, resistência às enfermidades e de crescimento normal.
Como fato positivo, Alleyne destacou que a maioria dos países americanos conseguiu cumprir as metas de redução da mortalidade infantil, lembrando que o último caso de poliomielite aconteceu em 1991, enquanto o tétano neonatal está confinado a poucos municípios isolados e existe um trabalho em curso para declarar a eliminação do sarampo até o final deste ano. Os níveis de vacinação contra difteria, tosse comprida e tétano chegaram aos 95%, e as mortes por diarréia e pneumonia continuam baixando graças ao funcionamento de uma estratégia de cuidados integrados para as crianças doentes. Estes dados confirmam a idéia, segundo a qual, a partir de um trabalho direcionado no sentido de enfrentar estes problemas produz resultados, representando um real incentivo para a continuidade dos programas de vacinação e prevenção. O maior desafio continua sendo o da miséria que representa o obstáculo principal para que o continente reverta este quadro lamentável e, por certo, inaceitável. Esta conclusão remete à necessidade de políticas econômicas mais profundas que visem reduzir o imenso fosso que há entre os paíse ricos e pobres e entre as populações em geral, condição básica não só para garantir saúde às crianças mas desenvolvimento integrado a todo o continente.





