Ainda que consiga votar - e aprovar, mesmo com mudanças - a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal na semana que começa, o saldo desta convocação extraordinária do Congresso terá sido muito pequeno. Com a falta de quórum para instalar a sessão da Câmara Federal, na sexta-feira - era necessária a presença de 51 deputados, só 26 estavam presentes - ficou curto o prazo para que se pudesse votar, ainda este mês, o segundo turno da reforma administrativa: são necessárias cinco sessões de intervalo entre o primeiro e o segundo turno de votações. Se, o que parece absolutamente inacreditável, houver quórum mínimo hoje (apenas, ainda, os 51 deputados) o prazo das cinco sessões terminaria sexta-feira, e aí, de novo, não se acredita que haja número. E como a convocação extraordinária termina no dia 25, o que se tem como resultado, até agora, é a quebra da estabilidade do servidor público, aprovada em primeiro turno e sujeita a muitas discussões em agosto, ou setembro ou sabe-se lá quando. Para completar um quadro negativo de trabalho, outros tópicos constantes da pauta da convocação extra (o Código Nacional do Trânsito, as novas regras para aquisição da casa própria e a lei eleitoral de 98) ficaram para o período normal, que recomeça em agosto.
Um saldo tão negativo acaba dando razão aos que contestavam, desde o início, a convocação que, como foi muito destacado, custou caro aos cofres públicos. Mais sério ainda é que a crítica - justificada sob os mais diversos aspectos que se observe o assunto - acaba por vezes indo além do que deveria. De fato, diante desta e de tantas outras situações em que os políticos falham, surgem críticas pesadas contra o Congresso. É muito importante que se realize, porém, a dissociação entre o Congresso, instituição política vital dentro do próprio conceito da democracia, e os membros que fazem parte, agora, daquelas Casas.
Naturalmente, é certo ponderar que o Congresso é formado pela soma de todos os seus representantes. Vale porém lembrar, sempre, que os políticos passam mas as instituições permanecem. Se a atual formação do Congresso decepciona, se a falta de ação merece reparos, se os abusos incontáveis chegam a deixar o povo enfastiado da política e dos políticos, é preciso ir fundo para ver que o necessário é mudar as pessoas. Não se pode esquecer, também, que os políticos foram colocados ali pelo voto popular. E é pelo voto que o eleitor pode corrigir seus erros e mudar as coisas. Como já mudou, e muito, ao longo da História política do Brasil.
O que continua a ser absolutamente fundamental é que o povo permaneça atento aos políticos que elegeu, acompanhando com o maior cuidado o que eles fazem no exercício do seu mandato. No particular, houve importante evolução no País, com o crescimento do senso de cidadania dos brasileiros que hoje exigem muito mais seus direitos, tem a coragem de reclamar diante dos abusos, não se dobram mais aos que os querem enganar. Democracia, importante repetir, não se faz apenas no dia de votar, mas constitui um exercício permanente em que o eleitor deve permanecer atento, cobrando de seus representantes o trabalho para o qual foram escolhidos.
Se este Congresso decepciona, isto não significa que a instituição ou a democracia sejam falhas. E a solução, ainda que o espírito de corporação faça com que muitos parlamentares sejam acobertados pelos seus pares, é simples: o voto. A cada novo pleito, é possível não apenas renovar os postos de eleição mas melhorá-los, afastando os faltosos, os omissos, os aproveitadores. Só assim é que, de fato, será aprimorada a democracia.

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