EDITORIAL
Afirmar que os criminosos estão em vantagem diante da polícia porque agem quando e onde querem, planejam e, assim, surpreendem a autoridade, é considerar apenas parte da questão. Com efeito, os marginais contam muitas vezes com o elemento surpresa, o que assegura mais possibilidades de sucesso em suas ações. Entretanto, há certas ocasiões em que é possível antecipar a eventual ação dos bandidos, assim como é muito claro que, com uma eficiente atuação preventiva, é viável reduzir em muito a criminalidade. Tome-se, por exemplo, o assassinato da sra. Rita Tedesco, ocorrido durante um assalto à casa lotérica de sua propriedade, no sábado, em Curitiba. Desde o início do ano foram registrados 151 assaltos no comércio do bairro do Portão, onde ocorreu a morte da sra. Tedesco, o que corresponde a três assaltos por dia. O Portão está entre os dez bairros mais violentos de Curitiba. Adicionalmente, era sabido que o movimento nas lotéricas, no final de semana, seria muito maior do que usualmente, por causa da Mega Sena acumulada. Não é um problema novo, não se trata de alguma coisa diferente da usual. Ao contrário, as pessoas que trabalham no setor têm reclamado sempre da falta de segurança, lembrando que o problema se agrava em épocas de prêmios acumulados e se torna ainda pior nos sábados, porque os bancos não funcionam e então não há como depositar o dinheiro. O caso específico do assalto que resultou na morte de dona Rita pode ser considerado típico de uma violência anunciada e previsível. E que poderia ter sido evitada mediante uma simples ação preventiva do organismo policial.
A ação preventiva da polícia representa fator capaz de inibir grande número de crimes. A simples presença de policiais a pé ou de viatura circulando pelas áreas mais importantes das cidades funciona como elemento capaz de evitar boa parte dos assaltos. Quando, como no caso específico do assalto à Lotérica do Portão, existe ainda o atrativo de que há muito dinheiro disponível, a presença da polícia deveria ser constante. Ainda mais diante dos números que indicam a ocorrência seguida de assaltos naquela região da Capital. Está mais que claro que a falta de policiais na área constitui um sério estímulo à criminalidade.
Naquele, como em tantos outros casos, em todo o Estado, a questão é simples: a mobilização de policiais militares para um trabalho de vigilância constante representa a solução para grande número de ações criminosas. E isto, seguramente, não demanda tantos recursos, exigindo muito mais planejamento dos responsáveis pela área. Nunca será demais repetir que em termos de segurança o Estado tem a obrigação de estar presente e atuante, inclusive porque a população não tem condições nem preparo para se proteger. Se faltam policiais, é vital que sejam realizados investimentos destinados a reaparelhar a polícia, notadamente a PM, a quem incumbe o chamado policiamento preventivo. Do mesmo modo, é necessário que haja viaturas em número suficiente e em condições adequadas de funcionamento para realizar a vigilância preventiva, notadamente nos grandes e médios centros.
A maior presença da polícia nas áreas urbanas constitui fator simples para a redução da criminalidade e, por consequência, para o aumento da segurança. Não é pedir demais, trata-se apenas de reclamar aquilo que é direito do cidadão em uma sociedade civilizada. Com simples medidas de policiamento mais ostensivo, em Curitiba como em Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e outros dos centros maiores do Estado, a violência pode regredir.





