Enquanto os institutos que medem a inflação indicam uma taxa próxima de zero, em outubro, para o Dieese o valor real aferido foi examente zero, e há novas estimativas indicando uma previsão de um total menor para este ano, os paranaenses recebem a notícia de que os usuários das rodovias do Anel de Integração vão pagar mais caro para passar pelas cancelas do pedágio, a partir da primeira quinzena de dezembro. O reajuste acontecerá menos de dois meses após as eleições e já estava previsto no contrato de concessão assinado entre o Governo e as empresas. Vale ainda rememorar que os usuários enfrentaram uma alta há menos de 9 meses, quando as tarifas foram corrigidas em 112%, por ordem judicial. Este novo aumento ainda não tem percentual definido, mas informações extra-oficiais indicam algo em torno de 20% que, somados aos 12% anexados à correção concedida pela Justiça, representariam mais de 32% de aumento em menos de um ano.
Imaginar que esta alta só afeta aos usuários, isto é, a quem viaja, é equivocada. O custo do pedágio acaba incidindo sobre tudo, como ocorre com o valor dos combustíveis. Afinal, tudo o que é transportado por estradas é onerado pelo pedágio. A alta nas tarifas se reflete sobre tudo o que é consumido. Encarece o custo de vida onerando principalmente os mais carentes. Tem-se aí mais um dos muitos efeitos danosos da política governamental, incluso o Federal, em relação às tarifas que aumentam sempre mais que a inflação. A justificativa segundo a qual tarifas (como as do pedágio, as de água ou de energia elétrica) são mais justas porque são pagas por quem usa os bens ou os serviços não leva em conta o efeito cascata porque quem acaba sendo onerado é o consumidor final que paga toda a carga tarifária e tributária incidente sobre os produtos.
O caso dos pedágios tem um elemento mais complexo, relativo à falta de transparência que cerca toda a questão. O povo alcançou uma maturidade que lhe permite participar com sensatez das decisões que lhe afetam a bolsa. O Governo, em dado momento, transferiu para empresas particulares a administração de rodovias que foram construídas com dinheiro público e que não parecem dispostas a mostrar claramente o que fazem e por que precisam de reajustes que superam a taxa inflacionária do período.
A consequência natural desta alta será um aumento no custo de vida para a população em geral. O peso deste reajuste atingirá de rijo uma ampla faixa da população que, apesar dos anunciados sucessos econômicos do ano, ainda não conseguiu se beneficiar desta situação. Com efeito, a inflação baixa de outubro e a previsão de que isto continue até o final do ano decorre precisamente da queda no poder aquisitivo da população. O aumento nas tarifas do pedágio vai piorar ainda mais a situação do povo. E o que é ainda pior, continuará sem ser informado de modo claro e honesto, como deve ocorrer em uma democracia, sobre a conveniência desta medida.

mockup