EDITORIAL
Se é certo que atualmente o mundo ainda briga por petróleo, não há dúvidas que em futuro próximo as prioridades serão modificadas. Um planeta cada vez mais populoso reclama, além da energia, também e principalmente de comida e água. Em função disto, inclusive, e levando em conta a excepcional situação brasileira, com enormes espaços e a possibilidade de ampliar de modo tremendo sua produção agrícola é que se diz que o novo século verá o surgimento de uma nova potência no mundo, o Brasil. Para produzir mais, porém, além de tecnologia e investimentos, a água é fundamental e seu papel é ainda mais importante porque representa vida. Futurólogos já anteciparam que em pouco tempo o mundo poderá assistir a novas guerras, não mais por território e sim pela água.
O homem vem realizando, através dos séculos, uma atividade predadora em relação ao ambiente verdadeiramente inacreditável. Aparentemente, os mais antigos tinham a idéia de que os recursos do Planeta eram infinitos. Assim, explorava-se tudo sem nenhum cuidado. Só em anos recentes é que começou a surgir a percepção sobre a necessidade de se modificar o modo de agir para preservar a natureza. Apesar, porém, de muitas advertências, ainda persiste a ação destruidora do homem que consome e polui o Planeta, sem nenhuma consideração.
A água, o ar, o solo sofrem este tipo de atividade e começam a dar a resposta. Um mundo cada vez mais povoado (sendo que as perspectivas são as de continuidade no crescimento da população do Planeta) se vê às voltas com a falta de água, com dificuldades para a produção devido ao desgaste do solo e com um ar cada vez mais prejudicado pelas emanações de gases poluentes.
No que tange à água, o que se vê é a poluição cada vez maior de rios, lagos e até dos oceanos. É cada vez mais difícil garantir o abastecimento de água potável às populações. Para enfrentar o problema, o homem buscou outras fontes e as encontrou. Reservatórios subterrâneos imensos podem representar uma resposta fantástica para o dilema, garantindo água de qualidade e em quantidade para o homem.
O Brasil, especialmente o Paraná, é servido por extensas e importantes reservas subterrâneas. Alguns estudiosos, embora não se possa confirmar plenamente as estimativas, assinalam que os reservatórios existentes, notadamente o agora chamado Aquifero Guarani antigo Botucatu poderiam garantir água em abundância para uma imensa população. Entretanto, conforme revela reportagem publicada ontem pela Folha, o homem também já está estragando este novo potencial e pondo em rísco seu próprio futuro. Uma exploração inadequada, a falta de medidas de proteção, o quase total desrespeito à natureza, uma vez mais, ameaçam destruir as possibilidades de um futuro melhor para o ser humano.
É verdadeiramente inconcebivel que, neste momento da vida da humanidade, persistam atitudes tão irresponsáveis em relação aos meios para a sobrevivência da espécie. A natureza tem um equilíbrio excepcional e seria suficiente para o homem agir com respeito a ela para poder ter uma vida boa e segura. Os abusos de centenas de anos já produziram imensos danos, havendo até ambientalistas que consideram que o homem já ultrapassou os límites e cavou sua própria sepultura. Por isto também é que se antecipam guerras pela água e, até, pela comida. A perspectiva não é das mais otimistas mas é certo que se pode reverter este quadro, se houver, finalmente, o despertar da consciência preservacionista. Um bom meio de começar seria através de ações concretas visando proteger e explorar adequadamente mananciais como os aquiferos que podem salvar o próprio homem de sua insanidade destrutiva.





