O Brasil que emerge do Censo 2000, conforme dados já revelados e que estão próximos do final, apresenta-se bastante modificado em relação ao quadro de há algumas décadas. Os números revelam que não se pode mais considerar um país de predominância jovem e que também deixou de ser uma nação de fundas raízes agrícolas. Ao lado disto, há a destacar a queda no percentual de crescimento populacional, em torno de 1,7%, nível bem inferior ao que se registrava no passado e que evidencia uma alteração importante na própria forma como se deve encarar questões relativas às necessidades do País.
Com efeito, o aumento no total de idosos representa um fator tão importante quanto a observação sobre a redução do percentual de jovens entre a população. O Brasil como um todo está envelhecendo. A tendência para uma redução cada vez maior no ritmo de aumento populacional ao lado de um aumento na previsão de vida do povo produzem novas situações que exigem profundas alterações até no planejamento de governo.
Globalmente, estas informações indicam a necessidade de um redirecionamento nas projeções sobre as necessidades do País, mostrando ainda que se faz urgente uma transformação até no modo como se encara a terceira idade. O aumento da população idosa evidencia que será preciso não apenas investir mais no sentido de garantir melhor qualidade de vida para aquela faixa mas também que se faz urgente uma alteração no sistema de trabalho, o que inclui até a aposentadoria.
Este é um tema muito delicado, que tem sido enfocado em relação à reforma previdenciária e que provoca enorme debate, com posições conflitantes entre os que insistem na defesa do ‘‘direito adquirido’’ em relação aos prazos para aposentadoria e o fato de que com o envelhecimento gradativo da população criam-se situações cada vez mais complexas. De um lado há a Previdência, sem recursos para atender às necessidades crescentes, de outro existe o desperdício de vidas úteis, de gente que poderia produzir muito e que é jogada fora pela falta de um sistema de resgate de sua capacidade e aproveitamento de experiências valiosas.
Outro fator vital a considerar é o esvaziamento do campo, com todas as suas consequências. O Brasil urbano que se desenha no Censo 2000 revela a importância e a necessidade de um trabalho intenso de acompanhamento da atividade agrícola para se permitir que 20% da população que trabalha no campo possa sustentar os 80% que vivem nas cidades. Ademais, seria útil considerar a questão do ponto de vista dos que foram praticamente escorraçados do campo, inclusive por leis absurdas, que incham as cidades, não encontram meios adequados de vida e se transformam na faixa miserável que sobrevive a duras penas na área urbana. Atender ao campo para que possa produzir mais, repensar até as políticas no sentido de atrair de volta aquele que foi excluído – o que inclui, sem dúvida, uma política real, honesta e objetiva de reforma agrária – representam mais que uma questão política, uma necessidade face ao quadro novo e complicado que se vê na vida da população brasileira.
Os prefeitos que vão assumir no primeiro 1º de janeiro poderão, sem dúvida, se utilizar muito dos dados que o censo está oferecendo, percebendo a nova realidade que se desenha e agindo de conformidade com ela. Há que repensar questões ligadas à educação, à saúde, à própria produção rural, buscando atender de modo mais concreto às necessidades diferenciadas das respectivas populações. Este, um primeiro passo, a ser, naturalmente, implementado por estados e pela própria União que também precisam se adequar ao Brasil que está surgindo no novo milênio.

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