EDITORIAL
Se no passado, durante a época da guerra fria, a sucessão presidencial norte-americana tinha enorme importância porque era escolhido o líder do chamado mundo livre em contraposição com a União Soviética e seus satélites hoje a eleição nos Estados Unidos ganha ainda maior importância. Afinal, com o esboroamento da União Soviética, restou efetivamente uma única potência no mundo. Deste modo, embora nada possa fazer, o mundo observa e acompanha com atenção e em alguns casos com apreensão a escolha que os norte-americanos farão.
Na próxima terça-feira, os eleitores dos Estados Unidos irão às urnas para eleger o novo presidente, numa disputa muito complicada entre o candidato situacionista, o atual vice de Bill Clinton, Al Gore, contra o governador republicano do Texas, George W. Bush, filho do ex-presidente George Bush que foi derrotado por Clinton quando tentava um segundo mandato.
Para se ter uma idéia da campanha eleitoral nos Estados Unidos, basta citar que quantidades siderais de dinheiro foram injetadas tanto para as eleições presidenciais como para as legislativas, obrigando os candidatos a dedicar tempo e esforço em uma frenética corrida em busca de recursos. Embora o fenômeno não seja novo as eleições nos EUA são disputadas tradicionalmente, movimentando muito dinheiro jamais os cofres das campanhas estiveram tão cheios, fazendo das eleições gerais da próxima terça-feira as mais caras da história dos Estados Unidos. George W. Bush recebeu a quantia recorde de US$ 176,4 milhões para abrir caminho à Casa Branca, segundo o independente Center for Responsive Politics. Seu adversário, o vice-presidente democrata Al Gore, recebeu US$ 128 milhões, conforme dados do mesmo instituto, que investiga os recursos partidários. Essas somas incluem os US$ 67 milhões que o Estado federal concede a cada candidato. A título de comparação, o instituto disse que US$ 106 milhões foram arrecadados durante a campanha para as eleições de 1992 e US$ 230 milhões nas de 1996. Nas de 2000, o total será de cerca de US$ 335 milhões, incluindo o que gastam os candidatos presidenciais dos partidos menores.
Para garantir o principal posto governamental do mundo, sem dúvida, dinheiro não é o maior problema. Afinal, o poder que o eleito conquista é imenso, indo além das fronteiras do seu país. Para se ter uma idéia disto, basta observar comentários feitos por líderes dos países envolvidos nos duros conflitos dos últimos tempos, no Oriente Médio. Uns como outros acreditam que só será possível o encontro de uma solução para a questão depois das eleições nos Estados Unidos. Em outras regiões do mundo o peso da influência norte-americana é, também, marcante. O mercado dos Estados Unidos é de enorme importância para o mundo, as definições econômicas adotadas pelos governantes norte-americanos influem sobre o mundo inteiro, até mesmo a taxa de juros praticada pela Reserva Federal do país tem influência sobre os mercados planetários.
Apesar de tudo, ao mundo resta apenas observar. Há certas posições fundamentais dos partidos majoritários norte-americanos que indicam alguma coisa. Os republicanos se mostram menos abertos a questões mundiais que os democratas. E não se pode esquecer que o atual candidato republicano tem menor experiência internacional que seu opositor democrata, afinal foi vice-presidente por oito anos. Todavia, como os norte-americanos vão votar pensando é nos seus problemas internos, o resto do planeta fica como espectador, apenas esperando que a escolha dos cidadãos daquele país possa ter resultados bons para todo o mundo.





