No momento em que o PT, principal partido de oposição, ganha as eleições para prefeito em alguns dos principais municípios do Estado (e também em alguns dos maiores do País) é válido rememorar o que acontecia, recentemente, na relação entre governos e prefeitos de oposição, no Brasil. Durante a época da ditadura, quando oposição era sinônimo de inimigo, os poucos prefeitos eleitos pela oposição sofriam nas mãos dos governadores nomeados, praticamente todos da Arena, o ‘partido da Revolução’. Na época, como infelizmente ainda acontece, era dura a situação dos prefeitos que, de ‘pires na mão’, viviam nas capitais pedindo ajuda aos governadores. No Paraná, os poucos prefeitos do MDB eram discriminados e até mesmo maltratados nos corredores governamentais. Em muitos casos, o governador fazia questão de ignorar esses prefeitos.
Hoje, em plena democracia, espera-se que a situação seja diferente. Em nível federal, o presidente Fernando Henrique Cardoso já anunciou que não haverá qualquer discriminação aos prefeitos eleitos no eventual atendimento a seus pleitos. Importa observar que o presidente não faz mais do que sua obrigação, como homem público eleito pelo mesmo voto que, agora, sufragou os prefeitos. A questão partidária, que é importante em vários aspectos da atividade política, não pode se sobrepor ao interesse coletivo. Assim, uma vez definidas as eleições, os prefeitos escolhidos passam a ser os governantes de todos. Deste modo, o presidente não faz mais que sua obrigação democrática ao garantir a todos a mesma atenção e idêntico atendimento.
No Paraná, porém, não se percebeu ainda uma postura democrática de atendimento igualitário aos prefeitos, independente do partido a que pertençam. Uma eventual discriminação do chefe de Executivo é que, efetivamente, não pode ser encarada como normal ou natural, como acontecia no tempo da ditadura. São outros tempos, diferente tem de ser a prática política.
O ideal seria que as prefeituras tivessem uma condição tal que não necessitassem pedir apoio ou ajuda financeira aos Estados e à União. Esta tem sido a grande luta dos municipalistas desde a redemocratização de 1945. Quando acontece a volta da democracia, há um esforço no sentido de restaurar na plenitude a Federação, o que implica em garantir às unidades federadas e, também, aos municípios autonomia financeira. Esta liberdade financeira, porém, notadamente no que tange aos municípios, encontra muita resistência. Para governadores (e também para o Governo da União) é melhor manter o controle, o que se faz através da perversa distribuição do bolo tributário. Prefeituras em condições financeiras que garantam a independência não agradam aos politiqueiros do Brasil. Resta, afinal, a realidade que levará os prefeitos eleitos que não pertençam aos partidos dos governadores a começar as romarias para pedir recursos aos chefes de Executivo estadual. E o mínimo que se espera é que recebam tratamento compatível com o mandato popular que receberam.

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