EDITORIAL
Amanhã, véspera da eleição para o segundo turno tanto no Paraná quanto nos maiores e mais importantes municípios, o eleitor terá, afinal, o tempo para o recolhimento necessário a fim de definir sua escolha. Em realidade, e as pesquisas o indicam, ponderável parcela do eleitorado já fez a escolha, embora haja ainda em alguns municípios, um percentual elevado (e que pode até decidir o pleito) de indecisos. Seja como for, livre da pressão da campanha, com o rádio e a TV voltando a apresentar suas programações nos horários habituais, sem as inserções políticas nos intervalos, o eleitor ganha condições para fazer a análise definitiva com vistas à escolha do domingo. É um momento importante para o eleitor, a oportunidade para, livre de pressões externas, encontrar-se consigo próprio, percebendo a força que tem em mãos e a importância do gesto, aparentemente simples, da definição do seu voto diante da urna eletrônica.
O voto vem se tornando cada vez mais simples e fácil. A própria apuração não tem mais o aparato de passado recente. Os resultados das urnas deste domingo serão conhecidos horas depois, sem atropelos. O sistema eleitoral modernizou-se, e felizmente, o eleitor evoluiu estando cada vez mais consciente do seu papel, da importância do voto e da necessidade de escolher de modo adequado até mesmo para evitar problemas futuros. Com efeito, a definição do domingo representará uma escolha que terá reflexos ao longo, pelo menos, dos próximos 4 anos. Há meios para corrigir erros, mesmo os que possam ser cometidos pelo eleitor, entretanto o melhor é que uma boa escolha abra caminhos para um futuro melhor, sem a necessidade de mobilizações que desgastam o povo e o sistema.
Estas poucas horas livres podem servir para uma profunda reflexão sobre o enorme poder do voto. No passado, com a falta de consciência efetiva sobre isto, muitos trocavam seu voto por qualquer coisa. Na medida em que foi crescendo a conscientização do povo sobre o seu poder na democracia, o quadro foi se alterando. Ainda não se chegou ao ideal, o que eventualmente jamais será atingido na medida em que isto pode ser considerado utópico. O avanço observado na vida nacional pelo fortalecimento da oposição nos permite vislumbrar pela escolha de valores novos, mais comprometidos com os reais interesses populares, um futuro de molde a ampliar as nossas esperanças. A consciência do peso do voto dá ao eleitor a verdadeira dimensão para poder exercer o seu direito de escolha.
Cada eleição representa uma oportunidade para o aprimoramento do regime democrático. Todavia isto não acontece sem que haja paralelamente, o crescimento da percepção pelo eleitor, do valor da escolha. Os danos que uma decisão inadequada pode proporcionar são enormes, ameaçando os avanços obtidos ao longo dos tempos. Isto também precisa ser bem analisado pelo eleitor dentro do que se pode considerar como o dever de votar. Discute-se muito esta questão considerando que o voto antes e acima de tudo é um direito. O dever não está ligado à questão legal, que torna o voto obrigatório, mas ao aspecto ético da participação comunitária. O eleitor, ao votar, está comprometido consigo próprio, com a democracia e com a coletividade em que vive. Tem assim, o dever de pensar, também, e muito, ao votar, no que é melhor para o município, o Estado e o País. Votar, deste modo, é afinal uma das mais importantes manifestações do verdadeiro patriotismo.





