A previsão de queda no nível da campanha eleitoral para o segundo turno que será realizado domingo, feita por especialistas que, inclusive, observam o que já está acontecendo em certos municípios, como São Paulo e Rio, deve ser observada com redobrada atenção pelo eleitor, porque este tipo de atitude reflete a idéia que os candidatos têm em relação ao povo. Prevalecem ainda arcaicos e inaceitáveis conceitos que não deveriam mais fazer parte do jogo político. Ataques pessoais, críticas sem fundamento que envolvem menos a condição efetiva do postulante e sim certos preconceitos, jogados de forma aleatória, são práticas que já deveriam ter sido abandonadas há tempos. Infelizmente, alguns candidatos - além de grande número de políticos - continuam a usar artifícios inaceitáveis na luta pelo voto. Vitória a qualquer preço pode ser o ‘slogan’ de tais políticos que, com isto, acabam por ofender até o eleitor consciente, tentando transformar a campanha eleitoral no que não deveria ser. Jogam sujeira contra os adversários, buscando com isto até mudar o centro da campanha.
O segundo turno é um tipo diferente de escolha. No turno inicial, o eleitor tem um número maior de opções e escolhe naturalmente aquele que, de algum modo, considera o melhor. Já quando ocorre o segundo turno, surge uma situação bem diferente. Os que votaram nos candidatos que ficaram nos dois primeiros lugares, quase que naturalmente devem repetir o sufrágio. Isto, porém, não resolve a equação. Os que permanecem precisam conquistar o eleitor dos outros candidatos (ou até o que preferiu votar em branco ou anular o voto), sem o quê, mesmo que tenha sido o mais votado no primeiro turno, pode perder a disputa.
Isto dá ao eleitor (especialmente ao que não viu o seu preferido entre os que ficaram para o segundo turno) uma condição especial. Para alguns, não é um momento confortável, porque terão de escolher entre dois que não lhe mereceram a confiança. Há quem pondere que, para este eleitor, a escolha acaba sendo pelo que lhe pareça menos pior. Seja como for, é certo que neste período de campanha e principalmente nos dias que restam para a escolha, é importante que ocorra uma avaliação profunda a fim de valorizar mesmo o voto que é a arma efetiva do cidadão na definição dos destinos do município e, por extensão, dos seus próprios.
Colocado assim como um cidadão a ser conquistado, o eleitor se situa numa posição realmente vantajosa. E é vital que observe o modo como é cortejado pelos candidatos. A campanha eleitoral baixa, rasteira, o uso de truques no sentido de prejudicar o oponente não parece ser o meio mais justo de agir. Ao contrário, dá a impressão de que o candidato (ou partido) que assim procede desconsidera o eleitor como cidadão, pensando que por meio de um jogo sujo vai conquistar vantagem. Este é, sem dúvida, o modo menos aconselhável de se fazer política, de conquistar o poder, objetivo final de cada candidato.
Nestes poucos dias que faltam para a realização do segundo turno, este cortejado eleitor precisa se manter atento para evitar ser vítima do jogo sujo, que na verdade não resolve seus problemas. O que interessa ao povo é a escolha adequada do candidato que efetivamente possa realizar um trabalho produtivo e honesto em benefício da coletividade. Não é pedir muito mas, diante de certas situações parece difícil separar o joio do trigo. Entretanto, esta é a grande tarefa do eleitor – e só dele – de quem depende uma escolha que represente a concretização dos anseios simples do povo que, afinal, quer muito pouco. Deseja apenas que aquele que venha a ser escolhido trabalhe com eficiência e elevação buscando, basicamente, o benefício da coletividade.

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