EDITORIAL
A campanha eleitoral para o segundo turno das eleições que atingem os maiores municípios do país entra na reta final e a pespectiva de modo geral é que, lamentavelmente, o nível pode baixar muito. Como se sabe, entre os homens públicos e os partidos vigora um princípio segundo o qual em política o único pecado é perder eleição. Com base nisto, vai-se por água abaixo a ética, a moral ou qualquer outro tipo de consideração, prevalecendo então a intenção única de ganhar, independente do que se faça para atingir este objetivo. Esta tendência, aliás, se percebeu desde o final do primeiro turno, quando começaram a ser costurados certos apoios que causam, no mínimo, estranheza. Considerar, como alguns já o fazem, que o entendimento político é natural, que alianças fazem parte do jogo, que os partidos buscam naturalmente o poder é um modo pouco sutil de esconder o interesse único de muitos em obter vantagens sob quaisquer circunstâncias.
O jogo sujo, completamente anti-ético, faz parte, infelizmente, de uma estratégia que acompanha as campanhas eleitorais, não apenas no país, até porque a tese sobre ganhar a qualquer custo é mundial. O segundo turno, ademais, provoca situações mais complexas porque cria uma situação diferente da usual em campanhas eleitorais. Não se está mais diante de várias opções, mas de apenas dois nomes. Para os eleitores que, no primeiro turno, fizeram outra escolha (e que são os que, teoricamente, decidem o segundo turno) a decisão se torna complicada. Muitos ficam na dúvida, até porque podem considerar as opções restantes inaceitáveis. Uma vez que não votaram nos candidatos que disputam o turno definito, acabam enfrentando a decisão de escolha não pelo melhor mas pelo que consideram menos ruim.
Ainda assim, incumbe ao eleitor a decisão final e irreversível. É preciso que ele fique muito atento a tudo o que vai rolar nestes dias finais de campanha, consciente dos truques, dos abusos, do jogo rasteiro que pode acontecer nesta véspera de eleição. Mais importante, ainda, é fundamental insistir na necessidade da percepção da melhor escolha porque é a partir dela que se vai forjar o futuro. Aquele que ganhar no dia 29 será o prefeito por 4 anos (alguns, inclusive, com possibilidade, caso não se mudem as leis, de tentar uma reeleição). Naturalmente, é possível conseguir tirar do poder o político que se revele não merecedor do voto, como aconteceu em Londrina. Todavia, o processo é complicado, difícil e traumático.
O ideal é que a escolha seja feita de tal modo que o melhor entre os postulantes seja eleito. Para o povo, deve importar menos o jogo político (e menos ainda o jogo sujo) mas o interesse mais elevado da coletividade. A democracia se fortalece nas eleições, mas ganha corpo mesmo é quando o eleitor usa de modo consciente e elevado o seu direito. Não se trata apenas de ir à urna, inclusive porque o voto é obrigatório, mas de escolher bem entre os candidatos. E se se tem como certa a possibilidade de atitudes pouco louváveis entre os que tentam eleger este ou aquele, há de prevalecer sempre a convicção de que, no fim, o que prevalece é a decisão do verdadeiro dono do poder, o cidadão com seu voto.
A escolha do próximo domingo ganha destaque ainda maior. Envolvendo os maiores municípios, atinge também um percentual mais elevado de eleitores. Para muitos, é até uma espécie de prévia para as eleições de 2002, quando o povo elegerá presidente e governadores. O mais importante, porém, neste momento, não é isto. O fundamental é que dentro de uma semana o cidadão vai escolher o destino de seu município para os próximos quatro anos. De uma boa escolha, depende um futuro melhor.





