Jornalistas, entrevistando a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, reclamavam da falta de propostas para a segurança por parte da postulante, indicando que seu oponente, Paulo Maluf, apresentou numerosos projetos a respeito. Como parlamentar que é, Marta Suplicy explicou que segurança é questão afeta aos governos estaduais, adiantando que muitas das proposições apresentadas pelo seu oponente não podem sequer ser implementadas, precisamente por isto. Com efeito, a candidata à prefeitura da Capital paulista está certa.
De fato, segurança pública é uma questão afeta fundamentalmente ao governo do Estado. Entretanto, o que não se pode esquecer é que esta é uma das maiores preocupações dos brasileiros em geral. Muitos candidatos nos pleitos municipais realizados no primeiro domingo deste mês apresentaram idéias a respeito, sendo possível que com isto ganharam votos. Agora, para o segundo turno, que envolve os mais populosos e importantes municípios do País, a questão se torna ainda mais séria, pois a insegurança pode ser considerada proporcional ao tamanho do município. Assim, do ponto de vista da conquista de votos, a abordagem do assunto tem certa validade. Naturalmente, diante de numerosas propostas verdadeiramente absurdas feitas por alguns candidatos, é justo questionar a demagogia implicita.
Ocorre, porém, que para o povo importa menos o aspecto formal e mais a situação em si. Ainda que se saiba que a segurança pública seja questão a ser resolvida pelos governos de Estado, a população sente a necessidade de uma atuação firme de seus representantes, quanto mais não seja no sentido de pressionar o governo central para melhorar as coisas. Nesta etapa de aumento na consciência de cidadania, a exigência popular por medidas concretas para melhorar o setor representa um fator importante. Um governo municipal pode (e deve) usar meios de pressão para obter mais segurança junto ao governo estadual. Não se pode esquecer, também, o importante papel que podem exercer entidades municipais que se unam para obter medidas concretas capazes de melhorar a segurança em toda parte.
Prefeitos são os administradores que mais próximos estão do povo. Em municípios pequenos, então, sua presença e força ainda é mais intensa. É descabido exigir deles que resolvam problemas que não estão diretamente (e constitucionalmente) ligados às suas funções. Igualmente é inaceitável a postura demagógica de quem propõe soluções impossiveis, como o candidato que garantiu que lutaria para implantar a pena de morte no País.
Entretanto, o prefeito não pode simplesmente cruzar os braços diante de problemas que aflijam de modo tão direto o povo, como o da segurança. O que é preciso, então, é que haja pressão consciente junto ao governo do Estado (sempre levando em consideração um governador tem a obrigação de atender a todos os municípios, independente da questão política-partidária em relação aos prefeitos) ao lado de medidas possíveis visando melhorar a estrutura de segurança.
Convênios entre municípios e Estado que possibilitem uso de próprios municipais para tarefas de segurança, incluindo até a cessão de funcionários para serviços burocráticos já existem e são plenamente viáveis. Repasse de recursos para melhoria, conservação e abastecimento de frota de veículos também é um meio possível, embora isto colida com a crônica falta de verbas das Prefeituras. Basicamente, um trabalho conjunto dos municípios com os Estados na área de segurança, pode produzir resultados, atendendo esta que é a preocupação mais séria da maioria da população.

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