Depois de haver feito sugestões a respeito de medidas capazes de estimular o mercado de trabaho no país, o novo Nobel da Economia, economista James Heckman, que se encontra no Brasil participando de seminário, deu outra sugestão, agora a respeito dos preços dos combustíveis, ameaçados devido à alta do petróleo no mercado externo. Enquanto especialistas internacionais e nacionais começam a insistir na necessidade de reajustes imediatos dos derivados do petróleo, Heckman segue na contra-mão, lembrando que, em alguns estados norte-americanos, a solução adotada para enfrentar a alta nos preços do petróleo e manter o valor dos derivados é a redução de impostos incidentes sobre o produto.
A idéia de reduzir impostos para conter preços não é nova e faz parte de uma filosofia mais ampla que sugere esta prática também como estimulante do crescimento econômico. No caso específico, porém, choca-se com outras teorias, inclusive a de alguns especialistas brasileiros que consideram qualquer tipo de proteção ao preço da gasolina, principalmente, uma política destinada a privilegiar os mais bem aquinhoados, que possuem veículos, em prejuízo dos mais pobres. É uma teoria interessante que esbarra, porém, na realidade econômica mais ampla. Afinal, é preciso considerar que, atualmente, não são apenas os muito ricos que possuem carros movidos a gasolina. Ademais, não é por que não usam (ou não possuam) automóveis que os pobres deixarão de ser onerados com a alta nos preços da gasolina pois há a considerar o efeito cascata dos valores cobrados sobre os combustíveis na economia em geral.
É indiscutivel que a questão dos preços do petróleo no mercado mundial reclama atualmente uma ação mais imediata das autoridades nacionais, diante mesmo da nova realidade cambial. Entretanto, há a considerar também que o valor atual de mercado não é o que o país está efetivamente pagando, em função do calendário de compras e até das mais diferentes origens e tipos de petróleo importados. Ainda assim, as oscilações que vem ocorrendo e a nova alta dos últimos dias, produzida em função da atual crise no Oriente Médio, implicam a necessidade de um acompanhamento rápido das autoridades nacionais, com a adoção de medidas para acompanhar a situação do mercado.
Ainda que, como assinala Heckman, esta repentina alta possa ser considerada especulativa, é fora de dúvida que os preços do petróleo não devem voltar aos níveis do passado. A tendência é a de que, uma vez resolvida a crise externa, haja um certo recuo nos preços. Mas a médio e longo prazo, os valores não apenas vão se manter nos patamares mais recentes, como também apresentam inegável tendência para a alta. Ao Brasil, como aos demais países dependentes da importação, se impõe a necessidade de um acompanhamento criterioso, com a adoção de medidas concretas a fim de minimizar os efeitos mais danosos desta realidade.
Ademais, as projeções imediatas não são muito otimistas. Já se antecipa que, com esta nova alta, haverá sérios prejuízos para a balança comercial brasileira. A eventual adoção de reajustes para os preços dos derivados, neste momento, ameaça também as próprias metas de contenção inflacionária. Os dois fatores combinados acabam por ser perigosos até para a atual retomada do crescimento econômico no país. Diante disto, a sugestão do Nobel da Economia aparece, sem dúvida, como a mais lógica e objetiva para enfrentar a emergência. Obviamente, reduzir tributos não é a opção que mais encanta os responsáveis pela política econômica. Representa porém uma alternativa possível para que se enfrente o atual quadro internacional, altamente especulativo.

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