O reinício do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, para o segundo turno das eleições municipais, marca o ponto de partida para o momento decisivo de confrontos que ganham, por sua situação, destaque nacional. Com efeito, os maiores municípios do Brasil (entre os quais São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte) é que terão segundo turno. E ali não vai se decidir apenas a escolha dos novos prefeitos, mas surgirá uma redefinição do próprio quadro político brasileiro. Em certo sentido, é possível perceber já nos resultados do primeiro turno, e no quadro que se esboça para o pleito do próximo dia 29, uma diretriz muito clara com o eleitorado brasileiro, de modo geral, evidenciando uma insatisfação real com a situação atual. Nem toda a engenharia oficial, com um esforço visando computar os votos no país em vez de perceber a realidade em cada município, consegue alterar as conclusões relativas ao que aconteceu no primeiro dia deste mês. Entretanto, é fora de dúvida, como ficaram indefinidas as escolhas para os municípios brasileiros com maior número de eleitores e que pesam, também, sobremaneira na própria composição política do país, é certo que o que ocorrer no segundo turno produzirá efeitos ainda mais concretos sobre o panorama político brasileiro.
Mesmo sem esta conotação, o segundo turno é importante por si e os eleitores convocados a voltar às urnas no próximo dia 29, em São Paulo ou em Londrina, como em Curitiba ou Maringá, ou em qualquer outro dos municípios que enfrentam o segundo turno, independente de qualquer outra cogitação, terão uma tarefa das mais sérias a realizar. Trata-se de uma definição final e definitiva que obriga, inclusive, àquela parcela do eleitorado que não votou em nenhum dos candidatos que ficou, a uma ponderação mais ampla na escolha do último domingo deste mês. Considerando que os que votaram em um dos dois postulantes que restaram vão manter seus votos, fica com os demais a decisão.
É uma situação complicada porque o eleitor, ainda mais em pleito municipal, tem uma definição muito clara na primeira escolha. Chamado às urnas de novo não vai mais escolher aquele que prefere mas terá de definir entre outras opções, sendo que muitos acabam escolhendo os que consideram menos pior. De qualquer modo, serão eles os que vão decidir o pleito, podendo inclusive mudar o quadro anterior: quer dizer, quem ficou em primeiro lugar no dia 1º, pode perder a eleição no segundo turno.
Os partidos políticos, notadamente os que ficaram de fora no primeiro turno, tentam negociar acordos para oferecer apoio aos candidatos. Jogam como se tivessem de fato poder sobre o voto, como se pudessem mesmo transferir, sem discussões, o voto que receberam para novos nomes. Isto pode ser real para muitos eleitores, mas dificilmente o será para todos. Ademais, a impressão sobre certas coligações que começam a se desenhar, notadamente em Curitiba e São Paulo, provocam muitas dúvidas até a respeito da seriedade dos partidos em seus projetos. Na verdade, já se vislumbra a disputa eleitoral de 2002, quando serão escolhidos novos governadores e presidente. É sobre este interesse que muitos partidos jogam.
Para o eleitor, porém, o interesse é outro. No segundo turno decide, primeiro, sobre o futuro imediato e direto de seu município. Vale esta primeira e fundamental preocupação. E serão os programas eleitorais gratuitos do rádio e da TV, mais os debates que venham a ser promovidos com os candidatos, que deverão fornecer ao eleitor, notadamente os que terão de optar entre candidatos que não escolheram no turno inicial, as bases para esta definição.