Que o povo não aceita mais conversa fiada e está ficando cada vez mais crítico e exigente, os resultados das urnas do último domingo o atestam. Felizmente passou o tempo em que discurso de presidente, ministro, governador ou secretário, com palavras doces e macias, pela TV, entusiasmava a população. Isso se justifica pela sequência de desilusões sofridas ao longo dos anos. Agora, o que o cidadão quer são medidas concretas para resolver os seus mais angustiantes problemas. Há alguns meses, o governo federal anunciou com grande ênfase o lançamento de um imenso programa para melhorar as condições de segurança no País. Houve a percepção, finalmente, de que a violência vinha num crescendo que reclamava atuação firme e imediata, com participação mais direta da própria União para dar maior suporte aos estados. O discurso foi enfático mas, recentemente, o próprio ministro José Gregori já veio a público para indicar que não houve, ainda, resultados práticos do tal pacote da segurança.
Não seria necessária esta informação do ministro. O povo está sentindo e vivenciando o problema. É comum a revelação segundo a qual os criminosos estão melhor armados que os policiais. O tráfico usa dos milhões que carreia para impor sua lei, pela corrupção ou pela violência. A insegurança campeia nas ruas, com um crescimento constante nos registros de furtos e roubos. A impunidade continua a crescer, ao tempo em que os reclamos por melhores condições para uma segurança mínima da população são respondidos com a tradicional informação da falta de recursos. O comandante geral da Polícia Militar do Estado do Paraná revelou, conforme material publicado na edição de ontem, que a PM continua hoje com o mesmo contingente de há uma década. Isto num período em que cresceu a população do Estado. Como resultado, não se mantém sequer o mínimo recomendado pelas Nações Unidas de um policial para cada 500 habitantes. Faltam policiais, na esfera militar como na civil, o aparelhamento existente (incluindo armas) é de qualidade inferior, os veículos precisam reparos, por vezes não há combustível. E a tudo isto a justificativa é a da falta de recursos.
É imperioso insistir em que no que tange à segurança, a falta de meios não é justificativa aceitável. Assim também não há como concordar com as teses segundo as quais o problema da violência não é principalmente policial mas social. O problema todo é conhecido, mas a população não pode ficar à espera de soluções que tardem anos ou gerações. Com efeito, para solucionar os tenebrosos problemas sociais, seria necessário um trabalho imenso de base que se começasse agora demoraria 20 ou 30 anos para ser solucionado. Infelizmente, fala-se muito mas nem isto se vê: as questões sociais continuam a ser mal formuladas e não resolvidas pelas autoridades. Paralelamente, segue existindo o quadro atual que não admite postergações. As vítimas de furtos e roubos, as famílias enlutadas pelos homicídios que se multiplicam não encontram alívio em qualquer tipo de explicação oficial. O que se exige é a adoção de medidas concretas, urgentes, práticas para modificar, com celeridade, o atual quadro de insegurança.
O drama da violência desmedida precisa ser enfrentado com firmeza pela autoridade que tem a obrigação de alocar recursos com vistas a uma solução rápida. Para a população, aliás, causa espanto perceber como parece fácil o desvio de alguns milhões para obras superfaturadas, como o TRT de São Paulo, enquanto se apresenta como impossível destinar verbas para melhoria da polícia civil e militar. A impressão diante disto é a de que, em realidade, o que se necessita é uma definição de vontade política para mudar totalmente este quadro.