Chegou o dia. São 109.823.461 de brasileiros aptos a exercer o direito de escolha para definir os prefeitos e vereadores em 5.559 municípios do País. Há 15.036 postulantes às prefeituras e 367.879 candidatos disputando um cargo nas câmaras municipais, atestando, em tese, um imenso interesse, por parte dos políticos, em se colocar à disposição dos respectivos munícipes para representá-los. Lamentavelmente, é ainda grande o número de eleitores que considera que apesar do número não existem nomes que mereçam a confiança do cidadão. Ocorre que este é o quadro que se tem e se o eleitor considera que entre os que postulam seu voto não há quem mereça a confiança, é certo que esta também é uma realidade a merecer profunda reflexão, para o futuro. Mas, no momento, o importante é a situação real e sobre ela é que o eleitor precisa se debruçar, consciente de seu papel e mais ainda sobre o fato de que a indefinição agora acaba gerando a decepção para o futuro. Este, aliás, é um processo que vem se repetindo ao longo dos anos e que só pode parar na medida mesmo em que esta consciência-cidadã, que ganhou corpo no País com o lançamento do plano de estabilização da economia, ocupe o espaço político, produzindo a mudança que precisa acontecer a fim de que se concretize a plenitude democrática que todos sonham.
O processo que se tem é este e é importante observar que apresentou, ao longo dos anos, uma constante evolução. Do tempo em que os candidatos eram impostos, do voto de cabresto, dos currais eleitorais, da época da cédula de papel que não chegava a todos os eleitores, da pressão plena do poder econômico, chegou-se a um tempo diferente e melhor. Com a evolução, o Brasil todo vota hoje em urnas eletrônicas, o que provoca ainda dúvidas nos mais antigos, mas representa sem dúvida um avanço, que deve se consubstanciar em apurações agéis, no rápido conhecimento dos eleitos, o que por si igualmente constitui uma garantia para o processo.
Está tudo pronto para que o povo - dono do Poder - o exerça na plenitude e com plena liberdade. Todas as desculpas sobre a discutível qualidade dos candidatos, a baixeza em determinados momentos da campanha, passa para plano secundário, ficando clara a importância da definição individual. Por incrível que pareça, será apenas pelo simples processo de teclar alguns números, e depois confirmar a escolha, que os brasileiros vão escrever seu futuro. Para o melhor ou para o pior, sem apelações ou desculpas. Bons prefeitos e vereadores são o resultado da opção do eleitor, valendo também a percepção segundo a qual a escolha inadequada produzirá os efeitos negativos de costume.
É certo que para que o processo tenha a elevação esperada seria importante que a participação fosse plena, sem faltas, sem votos brancos ou nulos. Com efeito, os que não votam, os que fogem ao processo prejudicam a si e à coletividade. Entretanto, esta é uma questão que, neste momento, não é a mais importante. O que vale é que cada um tenha a consciência de seu papel e vá à urna com a convicção de que com sua decisão vai escrever a própria História, definir o futuro, para o melhor ou para o pior. As eventuais cobranças ficam para depois.
Também fica para o futuro a ação fiscalizadora que o eleitor precisa exercer em relação aos eleitos. O voto é o fundamento no exercício da democracia. Mas não é uma outorga de poder, que inibe o eleitor-cidadão. Depois da escolha, importa que haja a cobrança, a manutenção da vigilância para evitar que se repitam a partir do próximo ano alguns dos problemas que brasileiros de muitos municípios enfrentaram com os candidatos que elegeu há 4 anos. Democracia, no fim, é isto: votar agora, vigiar sempre.

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