Termina amanhã o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV para as eleições municipais de domingo. Muita gente não esconde a satisfação com isto, reclamando que a programação obrigatória atrapalha muito, principalmente na televisão, atrasando programas. As queixas são ainda mais sérias face ao alegado despreparo dos candidatos, que proporcionam, muitas vezes, momentos de hilariedade e pena. Todavia, até isto deveria ser visto com outros olhos uma vez que o horário eleitoral gratuito serve, precisamente, para que o eleitor possa conhecer melhor aqueles que pedem seu voto. Por outro lado, o que também não pode ser esquecido, este instituto abre portas para candidatos com menor poder econômico, o que, aliás, foi a mola propulsora da criação deste tipo de publicidade. Antes disto, os mais ricos entravam nas campanhas com enorme vantagem, o que inclusive prejudicava o próprio senso da representação política.
Acontece que os candidatos (e os partidos, que, afinal, são os principais responsáveis pela questão) não souberam, outra vez, aproveitar bem este importante espaço. E o eleitor, quando pôde, fugiu dele. Quem mais se beneficiou disto foram as operadoras de TV a cabo que aproveitaram a oportunidade para lançar novos pacotes e conquistar mais assinantes, o que evidencia boa visão empresarial, de um lado, e péssima percepção política, por parte do eleitor, do outro. O balanço final acaba sendo, novamente, negativo, na medida mesmo em que se perdeu, em quase todo o País, a oportunidade de dar ao eleitor, através do melhor conhecimento dos candidatos e das propostas, condições maiores de uma escolha adequada.
Se, para os ouvintes e telespectadores, o final do horário eleitoral gratuito representa um certo alívio, para os eleitores tem outro significado. A lei prevê o encerramento de toda a campanha eleitoral três dias antes da realização das eleições para permitir que o eleitor tenha um tempo livre, sem pressões externas, a fim de se preparar para o grande momento da escolha nas urnas. Esta é a idéia básica, que inclusive se fortaleceu com a decisão de marcar o pleito no domingo e não no dia que era, tradicionalmente, destinado às eleições, o 3 de outubro. Eleições não são um feriado (e nos Estados Unidos, o pleito transcorre em dia comum, em novembro, sem qualquer folga especial), mas uma data a ser vivenciada com responsabilidade e entendimento.
Embora o País tenha emergido há pouco de um período totalitário, falta ainda para grande parte do eleitorado a percepção do peso real do voto. Há os que continuam a reclamar da obrigatoriedade do sufrágio, considerando esta situação pouco democrática. De fato, em tese, é possível considerar que o voto, tão importante como é, não precisaria ser obrigatório. Trata-se de um direito excepcional de cidadania. Infelizmente, porém, ainda há os que não percebem a magnitude do instituto, a importância da participação, a necessidade de uma conscientização sobre o dado definidor existente nas eleições. É também por isto que a representação acaba sendo negativa e criticada e muitos espertalhões continuam a se beneficiar disto, usando os cargos eletivos como trampolim para realizações pessoais e objetivos particulares.
O horário político eleitoral gratuito no rádio e na TV deveria servir para mudar esta realidade. Campanhas de esclarecimento, feitas entre as eleições, incluindo os programas dos partidos políticos, tem também esta finalidade. Até agora, o resultado positivo deste esforço não tem sido o ideal. Resta esperar que no domingo o senso de cidadania supere o desânimo e a desinformação e os 109.823.461 de eleitores façam do voto a arma real para aprimorar a democracia brasileira.

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