EDITORIAL
Pesquisa feita pela Global Forecast, divulgada pela Economist Intelligence Unit (EIU), com sede em Londres, antecipa que a economia brasileira deve crescer 4% neste ano, 4,5% em 2001, 4% em 2002 e 4,2% em 2003. Segundo a EIU, o Brasil está em franca recuperação após dois anos de estagnação. A previsão é também bastante positiva para a economia de toda a América Latina, que deve crescer 4% neste ano, 3,9% em 2001 e 4,1% em 2002. Até para a Argentina, que sofreu uma acentuada queda de competitividade em seus principais mercados de exportação por causa da desvalorização cambial no Brasil em 1999 e devido à fraqueza do Euro, as perspectivas são boas, considerou a EIU. Segundo a entidade, a economia mundial está registrando um crescimento expressivo, sendo possível que o PIB mundial cresça 4,9% neste ano 0,2% a mais do que o previsto no estudo elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Trata-se do maior ritmo de crescimento desde 1984. A EIU prevê que a expansão global deve ser de 4,2% em 2001, o que pode ser considerada uma excelente performance, se comparado aos crescimentos globais registrados nos anos anteriores às crises nos mercados emergentes.
Em meio a este quadro efetivamente otimista, são importantes as advertências do presidente do Banco Mundial, James Wolfensohnm, durante entrevista feita antes da Assembléia Anual conjunta do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BIRD), que se realiza em Praga, que se mostra muito preocupado com o aumento no fosso entre ricos e pobres no mundo. Para avalizar sua posição, Wolfensohnm lembra que 80% do produto econômico global, avaliado em 30 bilhões de dólares, é controlado por 20% do mundo, enquanto os países pobres, controlam apenas 6 bilhões de dólares, enfatizando que, em seu entender, a pobreza e a desigualdade podem desestabilizar tanto os países em desenvolvimento quanto os industrializados, causando até mais danos do que qualquer das chamadas crise sistêmicas, capazes de ameaçar o sistema financeiro internacional. A recente Cúpula do Milênio das Nações Unidas ratificou a meta de reduzir 50% a pobreza até o ano 2015, e para o presidente do Banco Mundial não há forma de aproximar-se desse objetivo sem melhorar a capacidade dos pobres para que se superem e lutem por mais e melhores oportunidades. A estratégia delineada por Wolfensohn, de aumentar o poder dos pobres, responde a um estudo no qual o BIRD investiu dois anos e, inclusive, pesquisas com 60 mil pessoas humildes em 60 países. O programa compreende três objetivos básicos: 1) Criar oportunidades, o que implica assegurar estabilidade e crescimento econômico. 2) Dar mais poder aos pobres, por exemplo, através do apoio a programas educativos e organizações não-governamentais (ONG). 3) Tentar garantir maior segurança mediante programas de saúde, prevenção contra crises e catástrofes, redução da criminalidade, reforma de sistemas judiciais etc. O Banco Mundial se mostra, conforme seu presidente, preparado para apoiar iniciativas nestes campos, mas enfrenta a falta de disposição dos governos que nem sempre estão dispostos a endividar-se para esses fins, ou não os consideram prioritários.
O discurso do presidente do Banco Mundial é, sem dúvida, lúcido. E é válido observar sua importância precisamente no momento em que todos os indícios apontam para um real crescimento econômico em quase todo o mundo. Fica mais fácil pensar em distribuir melhor as riquezas em épocas de aquecimento. O complicado é, como o próprio Wolfensohnm percebeu, fazer com que os governos do mundo, especialmente nos países mais pobres, assumam, com atitudes concretas, esta preocupação.





