Para o secretário-geral da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Rilwanu Lukman, a instabilidade do mercado petroleiro e a especulação sobre os contratos a prazo são as verdadeiras causas da alta do preço do petróleo. Lukman enfatizou que a OPEP poderá aumentar de novo sua produção em outubro caso os preços continuem em alta. O secretário insiste em garantir que existe um equilíbrio entre oferta e demanda, o que significa que a OPEP produz o suficiente para satisfazer a demanda mundial. Com isto, tenta reduzir os temores relativos ao eventual desequílibrio que pode ocorrer diante do crescimento constante da demanda e a constatação relativa ao fato de ser o petróleo um recurso finito. As novas reservas petrolíferas descobertas são apontadas como resposta à tese relativa ao fim da existência do petróleo, a curto prazo, com todas as suas consequências. Com efeito, a própria elevação nos preços do produto acabou servindo como estímulo à prospecção e descoberta de novas jazidas. No passado, antes do surgimento da OPEP, época em que o mundo parecia nadar em petróleo, o preço do produto, notadamente no Oriente Médio, era tão baixo que desestimulava muitos países, entre os quais o Brasil, de procurar reservas próprias. Foi o choque do petróleo de 1970, com a alta inesperada dos preços do produto, que mudou as coisas, estimulou mudanças e criou um novo quadro no que tange à produção em países que tradicionalmente não se preocupavam com o assunto.
Apesar das afirmações otimistas do dirigente da OPEP, é arriscado acreditar que os altos preços do petróleo atualmente decorram só da especulação ou que os valores cobrados pelo combustível possam voltar aos níveis de há alguns anos. A médio e longo prazo, até mesmo diante das próprias leis do mercado, o petróleo vai continuar subindo. Para enfrentar esta realidade, a prospecção visando encontrar novas jazidas é apenas parte da fórmula para enfrentar a situação. A realidade é a de que a questão energética constitui o mais grave desafio da humanidade no milênio que vai começar. Lamentavelmente, o primeiro aviso a respeito, que foi a crise dos anos 70, não foi percebido com a devida profundidade. Assim que o mundo se adequou à nova realidade surgida com a criação da OPEP, ocorreu um abandono dos esforços que foram desenvolvidos nos primeiros tempos da crise, visando proporcionar novas fontes de energia.
Os anos 70 foram, precisamente por causa da crise, muito criativos no Brasil e no mundo, proporcionando uma série de inovações, incluindo-se aí uma nova mentalidade de racionalização do consumo juntamente com a adoção de projetos alternativos. No Brasil, houve a grande expansão da produção da energia hidrelétrica, o avanço no uso do álcool, aumento na prospecção de petróleo, trabalhos objetivando o aproveitamento de fórmulas alternativas, como a energia solar e a eólica. Lamentavelmente, porém, na medida em que as coisas se acalmavam no mercado petrolífero, houve um refluxo nos esforços iniciais de tal modo que hoje o Brasil está quase na mesma situação dos anos 70.
Ainda há tempo, porém, para se enfrentar melhor o desafio energético do novo milênio. O Brasil pode (e deve) retomar o trabalho visando a substituição do petróleo por outros geradores energéticos, inclusive o álcool e outros derivados agrícolas. Igualmente é vital que se restaurem os investimentos para o melhor aproveitamento da energia hidrelétrica. O que é fundamental é que haja políticas contínuas de apoio ao setor agrícola, às áreas de exploração do potencial hídrico e as outras formas de produção de energia para que o país saia desta crise à frente de um mundo cada vez mais carente de energia.

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