Pesquisa realizada pela Sensus/Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que a grande preocupação do eleitor em relação aos futuros prefeitos é de que garantam os serviços públicos que dizem respeito à administração municipal. O trabalho revela que 84,9% afirmaram esperar que o prefeito de sua cidade cumpra com suas obrigações em relação a assuntos ligados diretamente aos problemas municipais. Apenas 7,1% responderam que esperam participação dos futuros prefeitos em temas nacionais. Para o presidente da CNT, isto significa que as pessoas estão interessadas fundamentalmente na discusão de questões locais, o que representa, conforme seu entendimento, um real avanço face à própria ótica eleitoral.
Ainda de acordo com a pesquisa, 56,6% dos 2.000 entrevistados disseram que fazem questão de votar, enquanto 31,9% afirmaram que votam por obrigação. Para 54,8% dos entrevistados, as propostas e planos dos candidatos vão definir a escolha do prefeito. Somente 5,3% acreditam que o apoio do presidente da República motivaria seu voto em determinado candidato. Ainda de acordo com os resultados da pesquisa, 43,2% dos entrevistados afirmaram que já definiram seu voto e que não irão mudá-lo. Outros 34,8% declararam que ainda não definiram seu voto e 17,5% responderam que já escolheram mas que o voto ainda poderá ser modificado, dependendo das circunstâncias.
A preocupação maior do eleitor em relação a assuntos diretamente ligados aos problemas locais é flagrante e valiosa. Esta situação valoriza ainda mais o pleito, ao tempo em que deixa muito evidente o amadurecimento do eleitor muito mais preocupado com os assuntos que o atingem diretamente. Faz parte, vale rememorar, do próprio discurso municipalista, o destaque sobre o fato de que o cidadão não mora no Estado ou no País, mas na sua cidade. É ali que ele procura atendimento a suas necessidades básicas, desde educação, à saúde, passando pelo emprego, questões fundamentais para a vida em sociedade. Paralelamente, o reforço do sentimento municipalista, por parte do eleitor, constitui, também, fator a garantir o próprio fortalecimento político da estrutura municipal na luta para conseguir meios e recursos a fim de cumprir suas funções.
A grande escola política, inclusive, começa nos municípios. As leis permitem que o cidadão possa disputar até a Presidência sem jamais ter tido qualquer outra experiência eleitoral. Também é possível ao homem público eleger-se deputado estadual, federal ou mesmo senador sem jamais haver conquistado (ou disputado) outro cargo. Todavia, políticos que surgem nas bases, que militam em Câmaras Municipais, que exercem uma prefeitura conseguem, no exercício de tais funções, um aprimoramento que é muito útil quando voam mais alto e lutam por mandatos nas esferas estaduais e federais. Levam inclusive para os novos cargos a experiência e a vivência municipal, tendo assim uma visão melhor a respeito dos problemas gerais do País e do povo.
Dentro de menos de duas semanas, os eleitores brasileiros vão às urnas precisamente para eleger prefeitos e vereadores, em todo o País. A maior preocupação manifestada a respeito dos problemas locais evidencia evolução do eleitor. O empenho efetivo dos candidatos em propor soluções para as questões que diretamente afetam a vida dos munícipes constitui uma garantia adicional para que se tenha uma escolha consciente e competente por parte do eleitorado. Faltando poucos dias para o pleito, torna-se ainda mais importante o efetivo acompanhamento dos que vão votar para que façam uma escolha adequada. O erro em tais circunstâncias custa caro ao município, ao país, ao povo e, principalmente, à democracia.

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