Policiais militares não podem, ainda que tenham justificativa, realizar protestos ou manifestações visando chamar a atenção do Governo para suas necessidades. Por causa disto, incumbe às suas esposas, aglutinadas na Associação das Esposas de Policiais Militares do Paraná ir à luta para defender as reivindicações daqueles que respondem por uma parcela importante no quadro da segurança pública no Estado. Ontem, representantes da entidade estiveram na Assembléia Legislativa a fim de cobrar a extensão do pagamento integral da gratificação especial dos PMs para 23.685 policiais da ativa e da reserva. Segundo um documento da própria Associação, a medida provocaria um aumento de 7,9 milhões de reais na folha de pagamento da corporação. Nesta fase de dificuldades que o Estado enfrenta, não é difícil saber que faltam recursos para atender ao reclamo. Isto já se sabe. O que é, porém, inegável é que não se pode mais aceitar que questões que envolvem a segurança continuem a ser tratadas sem a devida e necessária profundidade, o que implica se pensar primeiramente em toda a situação, nas prioridades e necessidades do povo do Paraná, com o que o problema relativo aos meios acabaria sendo colocado de outro modo.
É preciso repetir enfaticamente que as questões relativas à segurança não podem ser tratadas pelo ponto de vista da carência de recursos. Há muitas atividades do Governo que podem ser tocadas, também, pela iniciativa privada, quase sempre com mais competência e racionalidade. No capítulo da segurança, porém, não há alternativas. É o Estado quem deve garantir as condições de tranquilidade para que o cidadão possa viver. Há, inclusive, um esforço no sentido de dificultar que as pessoas tenham acesso a armas o que, sem dúvida, é acertado porque a grande maioria não sabe usá-las. Quem está habilitado a enfrentar os marginais, quem tem (ou deveria ter) condições de oferecer segurança ao povo são os elementos do organismo específico, no caso do Estado os membros das Policias Civil e Militar.
Para os membros dos organismos policiais é preciso que se ofereça condições adequadas para que possam realizar de modo concreto o seu trabalho. É necessário que se garanta a eles o treinamento, o aperfeiçoamento permanentes. Igualmente, é preciso que se ofereça a eles equipamentos, o que significa armas e veículos com que possam de fato enfrentar a marginalidade. E, para completar, é vital que se lhes garanta condições de uma sobrevivência digna, o que deve incluir não apenas ganhos compatíveis com suas funções mas também garantias para atendimento em casos de saúde e, complementarmente, seguro para que suas famílias possam sobreviver caso ocorram tragédias (o que é possível diante do risco que envolve a atividade).
Há meses se anunciou um imenso pacote de ações visando melhorar as condições de segurança em todo o País. Até agora, pouco se tem percebido de positivo no particular. O reclamo das esposas dos PMs, que convivem com as dificuldades devido aos baixos salários recebidos por seus maridos, com a tensão pelos perigos que eles correm diuturnamente, pela falta de sensibilidade oficial no sentido de garantir a seus maridos (e também aos policiais civis) é mais que justificado. Atendê-las constitui uma atitude da mais plena justiça.
Não se pode esquecer que o atendimento aos apelos dos que representam os policiais militares interessa, igualmente, e de modo muito direto, à população em geral. A base para o próprio desenvolvimento da sociedade é uma segurança eficaz, o que só se terá com policiais que sejam bem atendidos nas suas necessidades fundamentais como guardiões da população.

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