Em meio a esta nova onda que explodiu com a alta nos preços do petróleo, surgem (ou ressurgem) projetos visando alterar a atual dependência que o mundo tem da energia fóssil (derivada do petróleo). Na verdade, desde o famoso ‘‘choque do petróleo’’ dos anos 70, com o surgimento da Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep) e com a quadruplicação dos preços do combustível, surgiu a percepção sobre a fragilidade das economias nos países dependentes da importação de petróleo, base maior da produção de energia. Como, porém, houve uma certa adaptação aos novos preços, apesar das altas que se sucederam, uma vez mais o problema foi deixado de lado.
Nem mesmo os alertas dos que lembravam que o petróleo constitui um bem finito serviram para sensibilizar os dirigentes mundiais. Neste momento, quando o petróleo apresenta, outra vez, uma elevação abusiva nos preços, a questão volta, embora ainda não com a magnitude correta. Discute-se, ainda, a especulação dos países produtores, há negociações visando conseguir uma elevação na produção, o que reduziria um pouco os preços, mas ainda não se percebe o passo mais importante e necessário no sentido de se buscar, como ocorreu há 30 anos, no mundo como no Brasil, alternativas para o petróleo.
Alguma coisa porém se faz. Cientistas de todo o mundo estão reunidos em Madri, no 21º Simpósio sobre Tecnologia da Fusão Nuclear (Soft). Na abertura do encontro, foi feito um apelo ao apoio da comunidade internacional para conseguir que esta energia ‘‘limpa’’ se converta numa alternativa ao petróleo dentro de 40 a 50 anos. A fusão, ao contrário da fissão, sistema utilizado atualmente nas centrais nucleares, não libera dióxido de carbono (CO2) nem emite radiações ou gases de efeito estufa, responsável pelo atual aquecimento do Planeta. Por isso é uma energia totalmente limpa, conforme os técnicos.
O processo de fusão é a reação que se dá na combustão das estrelas e assim para se conseguir esta energia é preciso ‘‘imitar o Sol’’, onde, a uma temperatura de 15 milhões de graus centígrados, toneladas de hidrogênio se convertem em hélio a cada segundo, produzindo luz e calor. Os testes atuais sobre fusão se realizam mediante a união em elevada temperatura de dois núcleos de massas muito pequenas, de deutério e trítio, que liberam energia.
A fusão nuclear, como se observa, representa uma possibilidade. E o que se observa neste encontro de Madri é a tentativa de oferecer novas respostas. O que se reclama hoje, na verdade, é precisamente isto: um trabalho efetivo visando buscar novas formas para geração de energia. Este desafio é maior agora do que há 30 anos. E reclama uma atitude mais séria por parte dos governantes em todos os países do mundo, notadamente aqueles que continuam dependentes do petróleo, caso do Brasil.
É válido rememorar que depois do citado ‘‘choque do petróleo’’, houve um efetivo trabalho brasileiro para encontrar novas formas para produção de energia. Alguns caminhos foram tentados, entre os quais a energia elétrica, o uso do álcool, a exploração da energia eólica e solar. Infelizmente, como de costume, o Brasil deixou de lado estes caminhos. O álcool está abandonado. Faltaram investimentos para a sequência da produção de energia elétrica, não se deu a devida enfâse à pesquisa para aproveitamento do potencial eólico e solar de um país que tem sol todos os dias do ano. Investiu-se apenas na prospecção do petróleo, com resultados valiosos, mas que não chegaram sequer, ainda, a garantir a auto-suficiência do País em relação ao produto. É imprescindível que haja um retorno ao trabalho no sentido de buscar as alternativas energéticas que o Brasil pode conquistar, antes que novos choques de preços do petróleo produzam mais dificuldades para os brasileiros.

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