A Organização das Nações Unidas surgiu no final da II Guerra Mundial (1939-1945) com o propósito definido de formar um Parlamento mundial capaz de evitar novos conflitos. Similar à Liga das Nações, formada no fim da I Guerra Mundial, em 1918, a entidade tinha um elevado objetivo e pôde beneficiar-se também dos equívocos cometidos no intervalo entre os dois conflitos. Uma vitória foi conseguida nestes mais de 50 anos: mesmo com todas as dificuldades e ameaças tremendas que pesaram no período sobre a Humanidade, a III, e talvez última, Guerra Mundial não aconteceu. E a ONU, apesar de suas limitações, ditadas inclusive pela divisão do mundo a partir do fim da guerra, conseguiu realizar muitas ações não só em termos concretos contra as guerras, mas também em outros terrenos, através de organismos como a FAO, a Unesco, a Unicef e tantos outros, que, oferecendo alternativas para problemas de alimentação, educação e da infância, tentam produzir bases capazes de ampliar o entendimento entre os povos, melhorar a condição de vida dos seres humanos no planeta e, por extensão, produzir um clima mais propício à tão perseguida paz.
Hoje, com a presença de mais de 150 líderes mundiais, entre eles 14 presidentes latino-americanos, começa em Nova York a Assembléia do Milênio, o encontro mais ambicioso organizado nos últimos tempos pelas Nações Unidas, que objetiva discutir os desafios do século XXI. A América Latina e o Caribe estarão representados com força: os presidentes Andrés Pastrana (Colômbia), Hugo Chávez (Venezuela), Ricardo Lagos (Chile) e Fernando de la Rúa (Argentina), assim como os mandatários centro-americanos, entre os quais Fidel Castro, de Cuba, estão na lista de chefes de Estados que tomarão a palavra na ONU. A agenda da reunião terá como pano de fundo os efeitos econômicos e políticos da globalização. Serão analisados desde os temas que aparecem tradicionalmente nestas reuniões – entre eles a miséria, que afeta um bilhão de pessoas no mundo –, até problemas mais recentes, como o crescente abismo no acesso às novas tecnologias e a epidemia de Aids. Divididos em quatro mesas-redondas – uma delas presidida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez –, os chefes de Estado e de Governo analisarão a prevenção de conflitos, como os que atingem atualmente várias regiões do planeta.
A ONU, que deixou claro que não quer que a reunião se transforme em um encontro burocrático, caracterizado por discursos retóricos, adiantou que seu objetivo é que os dirigentes se comprometam com um ambicioso plano de ação. O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, já apresentou metas precisas para os próximos anos, visando erradicar a miséria, reduzir o abismo entre os países do Norte e do Sul e garantir a educação primária a todas as crianças do mundo. Annan vai apresentar na cúpula a política que sugere para assegurar a paz no mundo, baseada em uma ‘nova ordem moral’. Sua tese de que as fronteiras não devem ser motivo para impedir uma intervenção em missões de paz se opõe à posição de vários países, entre eles a China, membro permanente do Conselho de Segurança. Faz parte, porém, da grande visão dos que pensaram na criação do organismo que pretende ser o local em que os países resolvam seus problemas, sem o uso de armas e sem o risco da destruição. Utópica como possa parecer a idéia de um organismo mundial capaz de encaminhar a solução pacífica dos conflitos entre os povos, não há dúvida de que este é o caminho que permite que os seres humanos realizem, no mundo, a missão maior de viver em paz e prosperidade, livres do temor das guerras, sem preconceitos, forjando nos padrões da dignidade a base para uma humanidade melhor.

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