Desde que se colocou de pé e começou a pensar, o ser humano, entre tantas preocupações trazidas pela consciência que adquiriu de si e da vida, passou a cogitar sobre os mistérios do cosmos. E na medida em que foi conquistando novas fronteiras, quando conseguiu superar obstáculos, vencer distâncias, dominar cada vez mais seu planeta de origem, maior era o anseio de saber o que haveria além das estrelas. Os ficcionistas foram os primeiros a ‘explorar’ o espaço, oferecendo à imaginação humana versões que iam desde as primeiras ‘viagens à Lua’, de Júlio Verne, às complicadas aventuras produzidas pelo gênio de Isaac Asimov. E, confirmando que a realidade sempre imita a ficção, a ciência e a tecnologia foram se aprimorando até fazer a conquista do espaço parecer uma coisa comum.
Quando Yuri Gagarin saiu do planeta e deu três voltas em torno de nossas cabeças, informando-nos que a Terra é azul e o cosmos é negro’, começava uma fase ainda mais fantástica nesta ambição de se chegar às estrelas. Antes de Gagarin, uma cachorrinha que saiu de um canil direto para a História já havia feito a tão inacreditável viagem. Laika e Gagarin mexeram com os brios ocidentais no auge da guerra fria, levando o presidente John Kennedy a prometer que naquela mesma década, os conturbados anos 60, um homem chegaria à Lua e seria um norte-americano. Kennedy foi assassinado numa rua de Dallas, mas sua promessa se realizou: antes do fim da década o homem chegou à Lua, era norte-americano e ali plantou sua bandeira.
Aquele ‘passo tão pequeno para o homem, mas tão grande para a Humanidade’, como disse Neil Armstrong ao pisar pela primeira vez o satélite da Terra, foi sem dúvida um marco. O desafio de chegar lá tinha sido vencido. A partir daí, outros passos poderiam ser dados, até mais produtivos, para um conhecimento profundo da vida no cosmos. E foram. Engenhos humanos já vasculharam o sistema solar até seu limite. Uma nave Voyager até já ultrapassou este limite, embora não mande mais sinais para a Terra.
Naves humanas passeiam pelo cosmos. Uma estação habitada está em órbita há anos, já mostrando o peso dos anos. O projeto de se construir uma base permanente em órbita da Terra ganha cada vez mais força. E, a partir daí, o que chamanos de céu não será mais o limite. Talvez se possa dizer que não haverá mais limite algum.
Sexta-feira passada, o homem colocou um engenho no solo de Marte, inteiro e funcionando satisfatoriamente. Não é a primeira vez, nem será a última. Mas os objetivos são cada vez mais largos. Agora o sonho não é mais a Lua, mas mandar homens a Marte e, quem sabe, instalar uma base de exploração lá. No futuro, fazer uma cidade lá. Habitar planetas não é mais assunto exclusivo da ficção. Figura como um projeto possível, bastando apenas que o engenho humano - aparentemente inesgotável - supere as dificuldades inerentes a esses empreendimentos.
A nave que desceu em Marte confirma o que os cientistas afirmam há tempos: não há vida inteligente lá. Mas é certo também que isto não é obstáculo nem aos anseios humanos nem mesmo à idealização dos romancistas. Faz parte do desafio não encontrar nada, mas o pouco que se achar já é muito para se conhecer melhor as origens do cosmos e da vida na Terra.
Um dia, o homem acabará se defrontando com a grande surpresa que sempre quis ter. Há vida... na constelação de Magalhães. Enquanto isso não acontece, segue pesquisando, procurando, avançando. Agora, Marte abre de novo suas fronteiras à câmara indiscreta dos humanos. Em breve, outros vales pedregosos serão espiados pelo bicho que, pregado à Terra, insiste em ter os olhos voltados para o espaço infinito.
Pode ser que um dia não olhe mais para baixo. Só esperamos que nesse dia também tenha encontrado todas as soluções para os problemas da vida aqui.

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