EDITORIAL
O Paraná enviou projeto solicitando R$ 28,5 milhões ao Fundo Emergencial de Segurança Pública. No pedido estavam definidas áreas de aplicação daqueles recursos, com a previsão de recomposição da frota de viaturas das polícias Civil e Militar, ampliação de várias cadeias públicas e requalificação de policiais. Como resposta, informou-se que o Governo Federal liberou R$ 15 milhões, o que representa pouco mais da metade do que foi solicitado. O resultado é que os projetos todos deverão ser reformulados, com evidente prejuízo para o setor e, principalmente, para a população, que no fim é a grande vítima da situação de insegurança que se observa não só no Paraná mas em todo o País.
Nunca será demais repetir que esta é uma área em que as autoridades não podem pechinchar. A população não tem como enfrentar adequadamente os marginais que estão cada vez mais ousados, até porque percebem que estão em franca superioridade diante da polícia. Os organismos policiais se ressentem de tudo. Não há equipamentos, o armamento é inferior ao utilizado pelos bandidos, os policiais não têm a preparação adequada, usando bravura e coragem para compensar a diferença, o que, infelizmente, não resolve a questão.
A Polícia Militar há muito reclama melhores condições para exercer seu trabalho. O Governo estadual não tem condições, segundo alega, de atender aos reclamos da corporação. A Polícia Civil igualmente enfrenta enormes dificuldades e observa o aumento na criminalidade e a insegurança cada vez maior do povo, sem reunir condições para exercer adequadamente seu trabalho. A União anunciou, há meses, com o tradicional estardalhaço, a disposição de realizar uma ação emergencial para atender às maiores necessidades do setor policial nos Estados. Diante do que liberou agora para o Paraná, face ao que foi pedido, não se pode ter muitas esperanças de soluções reais a curto prazo.
O crime, no Brasil, está crescendo de forma verdadeiramente assustadora. Nos últimos vinte anos, foram assassinadas no País meio milhão de pessoas, com um aumento de 273% no número de homicídios, especialmente concentrado nas grandes cidades. O índice de roubos está crescendo mais, em quase toda parte, em relação aos furtos, o que é também altamente preocupante de vez que o primeiro delito implica em violência. É uma realidade que evidencia que o criminoso está ficando cada vez mais ousado, seguramente estimulado pela falta de punição. Com efeito, a impunidade, que é um fato real entre os chamados criminosos de colarinho branco, também existe em relação a quase toda a gama de crimes. Para piorar, o sistema penitenciário brasileiro está um caos e igualmente no particular sabe-se que faltam recursos para modificar esta situação.
É possível afirmar que o aumento da criminalidade no País decorre de uma série de problemas, inclusive de ordem social. O desemprego, o subemprego, a miséria, a fome, a falta de condições mínimas de vida constituem por si questões muito graves e que, em certa medida, podem ser apontadas como fatores de aumento na ocorrência de crimes. Adicionalmente, sabe-se que a solução dos problemas sociais não se faz por decreto, nem é possível realizar a curto prazo. O que resta, porém, é uma realidade que precisa ser encarada com a maior atenção, que é a do povo que não tem como se defender, que vive em sobressalto cada vez maior e não sabe mais a quem apelar. A insegurança crescente produz o medo e a sociedade acaba refém do crime, uma situação que reflete a verdadeira falência do organismo público, o que é totalmente inadmissível para a sociedade brasileira.





