Os senadores da subcomissão do Judiciário aprovaram, por unanimidade, um conjunto de requerimentos convocando ministros – entre os quais o do Planejamento, Martus Tavares –, o governador de Minas, Itamar Franco, parlamentares, juízes e outras pessoas ligadas ao Poder Judiciário para colaborar na apuração do desvio de R$ 169 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. Adicionalmente, encaminharam à Mesa Diretora do Senado requerimentos, propostos pelo bloco da oposição, sugerindo a quebra do sigilo de informações de todos os envolvidos no episódio, entre eles o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira. Jorge foi incluído na lista por ter trocado centenas de telefonemas com o ex-presidente do TRT de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, que continua foragido. Em depoimento no Senado, o ex-secretário confessou que tinha o juiz aposentado como um de seus informantes no Judiciário. Por seu turno, o senador Renan Calheiros, presidente da subcomissão, concordou com a líder do PT no Senado, Heloísa Helena, para a qual a subcomissão deve assumir, daqui para frente, a responsabilidade pelos pedidos de quebra de sigilo e, como tal, defender sua aprovação. A medida depende agora do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e de seus colegas que ocupam os cargos de direção da Casa.
Entre os requerimentos encaminhados à Mesa pela subcomissão está o que pede ao Ministério Público um levantamento completo das ligações telefônicas feitas nos aparelhos instalados nas dependências de 12 empresas, no período de janeiro de 1995 a julho deste ano. Estão na lista, entre outras, a Delphos Serviços Técnicos, EJP Consultores Associados, Meta Participações e Metaplan Consultoria e Planejamento, todas ligadas a Eduardo Jorge. Outros requerimentos pedem a quebra do sigilo dos telefones utilizados pelo ex-secretário nos períodos em que ocupou a chefia de gabinete do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e a secretaria-geral da presidência da República.
A impressão que as providências sugeridas pela Comissão do Senado passa é a de que o esforço do bloco situacionista no sentido de evitar a instauração de uma CPI sobre o envolvimento do ex-secretário do presidente com o juiz Nicolau dos Santos Neto não serviu para fazer o assunto ficar em segundo plano. Com efeito, a subcomissão do Judiciário mostra a intenção de aprofundar a investigação, buscando meios, dentro de sua competência, para esclarecer melhor um episódio que não pode ser minimizado. O envolvimento do sr. Eduardo Jorge com o juiz Nicolau dos Santos Neto, a impressão do uso do poder como meio para a obtenção de vantagens e, ainda mais, a íntima ligação do antigo secretário com o presidente da República representam fatos que devem ser plenamente investigados até que toda a verdade venha à tona. Isto, agora, é tão importante quanto a prisão do juiz Nicolau dos Santos Neto e a recuperação do dinheiro desviado.
O empenho da subcomissão do Senado representa, neste momento, um verdadeiro resgate em relação à imagem do Poder Legislativo, que corre o risco de ser visto como cúmplice nas manobras que eventualmente buscam evitar o esclarecimento dos fatos. O Brasil não é (ou não deveria ser) propriedade dos políticos, estejam eles no Executivo ou no Legislativo. Abusos, desvio de dinheiro público, qualquer tipo de atitude contrária ao interesse maior da população constituem atos que não podem ser mais aceitos. E qualquer tentativa de obstar plena transparência na administração e total empenho na investigação constituem verdadeiros crimes contra a cidadania.

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