Reduzir o fosso existente entre pobres e ricos, combater o desemprego e aumentar investimentos em saúde e educação são conselhos oferecidos pelo Banco Mundial aos governos latino-americanos para melhorar o perfil econômico de seus países e avançar no desenvolvimento. As propostas foram apresentadas pelo vice-presidente do órgão financeiro internacional, Shahid Burki, após realizar um diagnóstico da situação da região na 3ª Conferência Anual do Banco Mundial, que se realizou esta semana em Montevidéu.
Burki leu um extenso documento, intitulado ‘‘A longa marcha: um programa de reforma para a América Latina e o Caribe’’, que contém recomendações aos governantes para os próximos dez anos. O estudo reconheceu os esforços realizados pelos países da região a fim de adaptar seus sistemas econômicos e financeiros aos requisitos exigidos pela globalização dos mercados, mas advertiu que ‘‘não são suficientes’’ para superar o alto nível da pobreza.
Burki esboçou um plano de reformas, que denominou ‘‘de segunda geração’’, para complementar os índices de crescimento com uma distribuição igualitária da riqueza e evitar, assim, o aumento das desigualdades sociais. A espinha dorsal do projeto é a recomendação de maiores investimentos em saúde e educação, maior eficiência estatal, modernização do setor financeiro e do mercado de capitais e reforma da legislação trabalhista, além de ações para combater a corrupção.
É condição indispensável para o desenvolvimento sustentado, diz o documento, a realização de reformas nos sistemas de saúde e educação, além da melhoria dos serviços básicos prestados à população. Um grande número de pessoas, exatamente a parte mais pobre da população, é prejudicado pelas atuais condições em saúde, educação e serviços básicos. As escolas devem ter mais controle por parte dos pais e das comunidades sobre o planejamento escolar e o tempo de permanência dos alunos nas escolas deve ser maior. O documento também considera essencial revisar os salários dos professores públicos, que estão no degrau mais baixo do funcionalismo público estatal. A recomendação é que recebam salários de acordo com o rendimento de seu trabalho.
Burki disse que os técnicos do Banco Mundial consideram necessário estabilizar as economias regionais através de novas leis trabalhistas e de regulamentação dos mercados de capitais. ‘‘As economias regionais devem crescer mais de 6% ao ano, pois esta é a taxa necessária para reduzir o desemprego e o número de pessoas que vivem na pobreza’’, definiu.
As sugestões são simples, objetivas e claras. Algumas chegam a ser óbvias demais, mas nem por isso têm sido praticadas pela maioria dos governos da região. Quem ainda não ouviu falar, no Brasil, que é preciso investir na educação, na saúde, nos serviços básicos? Que é preciso valorizar o trabalho dos professores e manter os estudantes mais tempo em aula? São coisas que se diz há décadas, algumas há séculos, e o Brasil continua fazendo investimentos ridículos em educação, pagando salários vis aos professores e dando férias e feriados em excesso aos estudantes.
Seguir as recomendações do Banco Mundial também é muito simples e fácil. Basta que exista vontade política e um pouco de imaginação. Infelizmente, estes são ingredientes que vêm faltando à América Latina. Ao Brasil, imaginação temos bastante, até para acabar com a inflação mediante uma simples reforma monetária. Aqui, só falta traduzir essa criatividade em condições concretas para a melhoria de vida de todas as camadas da população.

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