Em meio à avalanche de denúncias sobre corrupção e notícias sobre ações judiciais envolvendo acusados, pode passar despercebida para alguns a notícia do reconhecimento, pela Organização Internacional de Epizootias, do Estado do Paraná como área livre de febre aftosa com vacinação. Isto significa que, a partir de agora, o Estado poderá comercializar carne na Europa e nos Estados Unidos, os dois mercados mais importantes do mundo, que estavam fechados para o produto estadual. Conforme a Secretaria de Agricultura do Estado, esta decisão permitirá um crescimento de 240% na exportação de produtos paranaenses. Atualmente, a exportação paranaense de carnes atinge cerca de 47 mil toneladas por ano, com o valor equivalente a US$ 60 milhões.
Trata-se de vitória real em uma luta muito dura e que, entre outras coisas, deixa evidente que sempre é possível vencer obstáculos na medida em que haja disposição para o trabalho. Há longo tempo a carne paranaense está fora dos principais mercados consumidores, precisamente por causa da existência da febre aftosa no seu rebanho. É o tipo de situação similar à que se observa diante de tantas doenças que podem ser erradicadas pela vacinação. No momento em que o Paraná se dispôs a lutar concretamente contra a aftosa, realizando amplos e concretos programas para a vacinação do seu rebanho, a situação começou a mudar. A certificação agora outorgada representa portanto uma expressiva vitória que, todavia, exige a continuidade do trabalho e da vigilância.
Esta lição serve para praticamente todos os setores da vida. E, na verdade, o Brasil já deixou evidente a disposição para enfrentar obstáculos e superá-los. A questão da poliomielite é bem típica: desde que foram aprovadas as vacinas contra aquela doença, notadamente a partir do surgimento da vacina oral, observou-se no País uma verdadeira cruzada para erradicar aquele mal. E hoje o Brasil está livre da pólio, conforme indicam entidades internacionais. O fato de que a vacinação prossegue, é sintomático e significativo, mostrando a seriedade deste trabalho e a disposição para não permitir que a doença volte a se manifestar.
A luta contra a aftosa tem, em certos aspectos, a mesma colocação: existe a vacina, é possível erradicar o mal. O que se reclamava era que fosse realizado um trabalho consistente e consciente para vencê-lo, não se podendo perder de vista a necessidade de se manter a vigilância para evitar que ocorram novos casos. Ademais, e é importante também observar, o fato em si não é apenas valioso por causa da possibilidade de se ampliar a exportação. Trata-se de garantir ao povo do Paraná, também, uma carne livre da doença, um passo a mais dentro da luta que não pode ser descurada visando dar à população melhores condições de vida e de saúde.
Esta vitória pode ser colocada também como indicativa da possibilidade de se superar obstáculos, uma vez que haja disposição e coragem para enfrentá-los. O Paraná tem uma vocação inegável para ser o celeiro do Brasil e até do mundo. Sua produção agrícola o situa entre os mais destacados produtores nacionais. Com a coragem e disposição dos homens do campo, o Estado conseguiu superar enormes problemas, diversificando sua produção e garantindo alimentos aos brasileiros e valiosas divisas para o País. Na agropecuária, igualmente, tem se destacado com um trabalho que exigiu competência e muita coragem dos criadores, com resultados efetivamente fantásticos. A vitória contra a aftosa abre novas e imensas perspectivas para o setor. O desafio permanente é o de se prosseguir na trilha, vencendo as dificuldades com o discernimento e a disposição que tem feito o Estado ganhar cada vez mais espaço como verdadeiro pólo produtor de alimentos.

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