A situação atual no município de Londrina, com o afastamento do prefeito Antonio Belinati (PFL) determinado pela Justiça, o recurso junto ao Tribunal de Justiça devolvendo-lhe o cargo e outro despacho novamente afastando-o do posto, forma um cenário de incertezas e dúvidas. A pergunta que mais se ouve diz respeito justamente ao que pode ocorrer: o prefeito volta ou não, termina o mandato ou será substituído por outro, concorre ou não à reeleição? Todas as interrogações são possíveis diante de um quadro que se mostra nebuloso, mas que, fundamentalmente, deixa uma questão que deveria ser observada de modo muito claro: é muito difícil afastar um político eleito do cargo, por mais que haja denúncias ou até mesmo provas sobre eventuais atitudes incompatíveis com o exercício do mandato. Esta constatação leva, inevitavelmente, a duas outras conclusões: como é importante o voto e como, também por isto, é vital que o eleitor pense muito bem quando vai depositar seu sufrágio na urna.
Diante de tantos abusos em todo o País, das denúncias que comprovam assaltos aos cofres públicos, de atitudes indignas por parte de muitos políticos, o eleitor fica, muitas vezes, descrente da democracia. E está errado. O que é necessário é que observe com maior profundidade os fatos e perceba tudo o que está envolvido no voto. É importante lembrar que não se pode tirar o mandato a ninguém de modo aleatório. As muitas defesas legais postas à disposição dos eleitos são também modos de garantir a própria representação. O mandato, até pelo que significa como fator representativo, tem de ser defendido de modo pleno. Mais ainda, é necessário que se dêem aos eleitos instrumentos de defesa para que possam exercer seu compromisso, inclusive diante da necessidade da ação de oposição, tão importante para o próprio sistema.
Os mandatos precisam ter, como têm, efetiva defesa. Afastar um político eleito não pode ser uma ação simples. A perda de um mandato só pode ocorrer depois de processos que permitam ampla defesa, que é também um modo de preservar o voto e o eleitor. É certo que, infelizmente, muitos dos que têm seu mandato ameaçado não merecem mesmo continuar com ele. Abusaram, fugiram ao compromisso assumido com o povo, transformaram muitas vezes o voto em um instrumento para o atendimento de interesses particulares, sem levar em conta as questões públicas. Pior ainda é observar que o corporativismo faz com que detentores de mandatos acabem se defendendo uns aos outros, sem levar em conta que todos têm apenas compromisso com o povo e não com seus pares.
Dentro desta linha de raciocínio é que se precisa insistir na necessidade de uma valorização pessoal do voto. Dentro de poucos meses, os brasileiros vão ser chamados novamente às urnas, em todo o país, para escolher novos prefeitos e vereadores, na grande renovação da vida municipal. Com a atual legislação, ponderável parcela dos atuais prefeitos poderá (e irá) pleitear a reeleição, juntamente com a quase maioria dos vereadores que, do mesmo modo, vai pedir mais quatro anos ao eleitor para continuar nas Câmaras. A decisão em todos os casos está na mão dos eleitores. Podem reeleger prefeitos (ou escolher outros), podem manter vereadores nas Câmaras ou mandá-los para casa, elegendo novos nomes. O eleitor pode tudo na hora do voto.
E é um voto forte e muito protegido, como se percebe agora na dificuldade de afastar políticos eleitos de seu cargo. Logo, é vital que cada um tome efetiva consciência da importância de seu papel no momento da escolha. Uma eleição consciente e elevada melhorará o padrão democrático e evitará a necessidade de se ter de lutar para alijar eventuais maus políticos de cargos que não mereciam, mas ganharam.

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