O Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial do IBGE, que foi de 1,74% no segundo trimestre deste ano, mostra que a inflação acumulada em três anos de Plano Real é de 68,98%. Pesquisado trimestralmente, o IPCA-E serve de base para o cálculo da Ufir e acumula no ano alta de 4,23%. Em 1996, o segundo trimestre registrava 6,76% de inflação. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a taxa é de 7,32%, contra 8,82% no primeiro trimestre do ano passado. Em resumo, os números nos dizem que quanto mais passa o tempo a inflação se torna cada vez menor. O custo de vida ainda é muito alto no Brasil, em vários itens essenciais - como habitação, saúde e alimentação fora de casa -, mas estamos convivendo com índices cada vez mais civilizados.
Em três anos de Real, os itens que mais subiram foram habitação (285,40%), comunicações (244,92%), serviços pessoais (134,54%), atendimento médico (128,89%), transporte público (99,86%) e educação (90,93%). Todos com percentuais muito acima da inflação acumulada no período. Mas mesmo assim, a inflação de três anos é menor do que a inflação dos três meses imediatamente anteriores à instituição do Real.
O resultado é ainda mais animador quando se analisa a questão sob o ponto de vista da longevidade do programa e das suas tendências em relação aos índices inflacionários. Nunca é demais relembrar que os mais açodados (ou mal intencionados) insistiam em dizer que o Plano Real era puramente eleitoreiro e naufragaria logo que passasse a eleição presidencial. Ora, o mundo não acabou e a tendência é que continue firme se o Congresso aprovar reformas consistentes na Previdência, no sistema tributário e na administração pública.
E aí está o ponto central do Plano. Toda a impressionante vitória obtida nos últimos três anos pode, sim, virar pó se as reformas não vierem e o governo - embora hoje não admita - perder o controle sobre as contas públicas em função dos juros e dos déficits público e comercial.
Para alguns, a reviravolta que aconteceu no País parece um milagre. De um momento para outro, de uma inflação que crescia a cada mês, passando de 1% ao dia, caímos em outra realidade, sem choque, sem confisco, sem congelamento, sem medidas policialescas. Mais importante: o sucesso inicial não virou um fiasco em poucos meses, como nos cinco ou seis planos anteriores. Se é fato que uma inflação de quase 70% em três anos é alta demais - dá 19,5% ao ano em média -, é inegável que a tendência é de queda, devendo fechar abaixo de 7% este ano.
O que ressalta, porém, é que não houve milagre. E porque não houve milagre, é preciso que cada um faça a sua parte para as coisas acontecerem: que o governo controle seus gastos e, em consequência, os juros baixem; que o Congresso aprove reformas para valer e, em consequência, o déficit público se torne irrisório; que os Estados e municípios corrijam seus vícios e gastem menos e melhor o dinheiro dos impostos; que o setor de Saúde funcione e que Habitação, Segurança e Educação mostrem resultados de país civilizado.
Há, portanto, muito que fazer. O controle da inflação é apenas uma parte do processo maior de recuperação e desenvolvimento do País. Por isso é necessário que o projeto continue. A inflação cada vez menor é um excelente resultado. Mas o que se persegue é um percentual abaixo de 4% ao ano e, mais ainda, uma economia em condições que garantam a estabilidade da moeda e a prosperidade da população. Para que isto ocorra, são imprescindíveis e inadiáveis as reformas estruturais que o Congresso continua a dever ao povo brasileiro.

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