Educação, caminho do futuro
Koichiro Matsuura, diretor-geral da Unesco, órgão das Nações Unidas que trata da educação, revelou que existem atualmente no mundo 880 milhões de analfabetos adultos, indicando ademais que há outros 113 milhões de jovens que não estão escolarizados, 110 milhões deles nos países em vias de desenvolvimento. Em entrevista, antes do Fórum Mundial da Educação organizado pela Unesco e que vai se realizar esta semana, na capital do Senegal, Matsuura lembrou que, há 10 anos, na Conferência Mundial de Jontien (Tailândia), a entidade se comprometeu a reduzir o analfabetismo à metade, antes do ano 2000, meta que não foi atingida, mas insistiu que a erradicação do analfabetismo continua a ser o principal objetivo da entidade.
O diretor-geral da Unesco apontou como ‘prioridade das prioridades’ a garantia de uma educação de base de qualidade para todos nos próximos quinze anos. Insistindo na educação básica, realçou a necessidade de melhorar também seu conteúdo, destacando que é fundamental ensinar os jovens a ler, a escrever e a se expressar, mas entende que também é necessário que todos tenham acesso a outros conceitos, que conheçam as ciências e possam se beneficiar das novas tecnologias, assinalando que, caso contrário, se criará uma nova separação entre ricos e pobres. Matsuura deseja que o Fórum do Senegal termine com um decidido chamamento à ação concreta e considera que toda a rede de instituições especializadas na educação deve contribuir na tarefa, mas pediu também colaboração à comunidade internacional, convocando os países a um compromisso político claro para que destinem mais recursos à educação. Ele pediu ainda que os doadores aumentem sua ajuda, sem esquecer de solicitar a colaboração do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, mas com uma crítica: Matsuura não considera adequado que a ajuda destes organismos a certos países ocorra mediante uma redução nos gastos com a educação.
Um apelo adicional do diretor-geral da Unesco foi feito no sentido de, no esforço para erradicar o analfabetismo, não se esquecer dos adultos. Enfatizando que a escolarização das crianças é prioritária, Matsuura insistiu no que chamou de ‘‘segunda oportunidade’’, pedindo ainda que o esforço se volte para todos aqueles que estão marginalizados, incluindo as minorias étnicas e culturais, as crianças exploradas ou vítimas de guerras, os inválidos e, igualmente, as mulheres, que representam 63% dos analfabetos. Além disso, na visão de Matsuura, a eliminação da discriminação sexual, que ele considera essencial para a democracia, é um ponto primordial para a Unesco, inclusive mais abrangente que a questão educativa.
Este Fórum Mundial da Educação constitui, sem dúvida, uma oportunidade fabulosa não apenas para o debate genérico da questão, mas para que novos compromissos venham a ser adotados, local e mundialmente, nesta que deveria ser a verdadeira cruzada para o milênio que se aproxima: o combate à ignorância. Com efeito, é disto que se trata, como destaca adequadamente o diretor-geral do organismo quando insiste em que erradicar o analfabetismo é parte de uma ação mais complexa. A evolução dos conceitos educacionais, as exigências de conhecimento cada vez maior representam hoje desafios concretos no sentido de propiciar meios efetivos a que a população do mundo alcance as condições de desenvolvimento exigidas pela dignidade humana. O compromisso deste Fórum deveria ser precisamente o início de uma fase nova, para o resgate real de uma humanidade que precisa atingir condições melhores de vida.

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