A fome no mundo
Levantamento efetuado pela FAO, organismo da ONU responsável pelas políticas voltadas para agricultura e alimentação, indica que a fome persiste em 34 países do mundo, atingindo praticamente todos os continentes. Algumas situações dramáticas são expostas no trabalho, indicando que só na Etiópia 8 milhões de pessoas podem morrer de fome rapidamente. De modo geral, na região Leste da África, chega a 16 milhões o total de pessoas ameaçadas séria e imediatamente pela fome. Mas em outros continentes há sérios problemas. Na América Latina, é grave o quadro em Cuba, Honduras, Nicarágua, Venezuela, Salvador e Guatemala, países que recentemente foram atingidos por catástrofes naturais. Na Europa, o drama atinge alguns antigos países da órbita comunista, entre os quais a Iugoslávia, vítima de incontáveis e seguidas guerras civis.
Trata-se de um quadro de carências que indicaria como solução natural um esforço mundial visando aumentar a produção de alimentos. Todavia, esta solução aparentemente simples é mais complicada em função de certas e, até certo ponto, incompreensíveis, realidades do mercado. Assim, conforme a própria FAO, a produção mundial de cereais registrou neste ano um aumento de 1% em relação ao volume do ano passado. O crescimento é insuficiente até para atender ao simples aumento da população mundial. Todavia, a elevação dos estoques acabou provocando baixa de preços dos produtos agrícolas. Assim, surge uma situação efetivamente complicada: caso ocorra um trabalho efetivo visando aumentar a produção, os preços caem, o que acaba sendo negativo para o próprio produtor. Adicionalmente, há a reconhecer que se trata de uma situação atípica. De fato, se milhões passam fome no mundo, faz-se mais que necessário um crescimento na produção de alimentos. Isto, porém, só pode ocorrer dentro de uma política que garanta justa remuneração aos produtores.
A impressão é de que falta seriedade até mesmo em organismos do porte da FAO, muito (e justificadamente) respeitado pelo seu trabalho. Afinal, se há fome no mundo, isto decorre de dois fatores: o primeiro, efetivamente o mais grave, está ligado à miséria. O segundo, diz respeito à produção de alimentos, que até mesmo se percebe pelo recente trabalho da FAO, não acompanha o crescimento humano no planeta. Então, obviamente, há que se pensar em estimular o aumento da produção, o que implica em não permitir que os preços se deteriorem diante de melhores colheitas. Paralelamente, há que se pensar em termos concretos no sentido de permitir que os países paupérrimos tenham como receber alimentos para suas populações famintas, mesmo que não tenham recursos.
Naturalmente, a questão é muito mais complexa até porque em algumas nações da África, principalmente, ponderável parte do problema da fome está ligada a situações políticas insustentáveis, a guerras internas e a abusos terríveis contra as populações. Entretanto, independente disto, como a própria reação da FAO o evidencia, o problema básico é o dos milhões que estão ameaçados pela fome e de tantos outros que, ao longo do tempo, vão ficar na mesma situação.
Para enfrentar este imenso desafio, necessita-se mais do que levantamentos oficiais ou discursos humanitários. O que se requer são ações concretas, incluindo aí subsídios para garantir a alimentação aos miseráveis. O mundo tem como reverter este quadro, necessitando apenas que haja um trabalho conjugado visando estimular a produção e garantir a quem tem fome, independente de sua condição financeira, o alimento que o liberte desta trágica situação.

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