Editorial
Agricultura, o caminho
Produtores de arroz da fronteira oeste do Rio Grande do Sul ingressaram esta semana com ação cautelar na 2ª Vara Federal de Uruguaiana, pedindo a suspensão imediata das importações do produto. Como alternativa, eles pedem também que seja mantida a cota de 550 mil toneladas como limite à importação. A ação é assinada pelos sindicatos rurais de Uruguaiana, São Borja, Itaqui e Maçambará, além das associações de arrozeiros de Itaqui e São Borja. Os arrozeiros argumentam, no processo, que há concorrência desleal por parte dos produtores argentinos e uruguaios, que estariam praticando dumping. Eles mencionam denúncias de ingresso de arroz que seria originário da China e Vietnã e entraria no Brasil pela Argentina e Uruguai por preços inferiores aos custos de produção.
Trata-se de mais um dentre tantos episódios envolvendo o setor que poderia proporcionar a redenção brasileira, a agricultura, mas que continua a ser deixado de lado por uma visão absurda da própria realidade. Com o potencial que tem em relação à agricultura, o Brasil não precisaria importar nenhum produto agrícola. No entanto, a realidade é bem outra. Importamos arroz, trigo e muitos outros produtos, abrindo caminho, inclusive, como revelam os arrozeiros gaúchos, a mais uma fraude, com a passagem de produtos originários de outros países como Argentina e Uruguai. Trata-se de um desrespeito à lei e aos interesses mesmos dos produtores e da população brasileira.
O IBGE acaba de revelar que a safra agrícola deste ano poderá alcançar o recorde de 84.331 milhões de toneladas, sendo 2,13% maior que a do ano passado. O levantamento mostra que houve crescimento da estimativa de produção de algodão, feijão, milho e soja. Apenas arroz em casca apresentou queda de 6,50%. Segundo técnicos do Instituto, a estiagem ocasionou perdas significativas na produção de arroz de São Paulo e Mato Grosso. É certo que entre as previsões e o resultado final, há muitos entraves. No Paraná, por exemplo, conforme dados oficiais, a safra de verão será 5% inferior à anterior. Por outro lado, há expectativas boas em relação à safra de inverno, que deve apresentar resultado 14% superior ao do total colhido no ano passado. Há muitas variações, mas o importante é insistir em que o Brasil tem plena condição de aumentar sua produção e que, em verdade, precisa seguir este caminho como alternativa efetiva para mudar suas próprias perspectivas.
Com efeito, este é o caminho que o país precisa encontrar a fim de resolver seus múltiplos problemas, a começar pelo da própria fome que ainda aflige grande faixa da população, atingindo também outras situações, como as do emprego e do crescimento. O campo é a solução concreta e definitiva para o Brasil. Através de um trabalho consciente, de um apoio real, de uma política consistente, o país terá condições não só para resolver suas maiores dificuldades como também dará o grande salto que vai torná-lo na potência com que todos sonhamos.
Adicionalmente, há a considerar uma questão que vem sendo mal colocada no que diz respeito à produção interna e à importação de produtos de alimentação, em especial arroz e trigo. Comenta-se que diante de interesses do Mercosul, valeria mais a pena ao Brasil importar certos produtos (como o trigo) do que produzi-lo. Ora, o próprio vice-ministro de Relações Exteriores da Argentina, Horácio Chighizola, disse em recente entrevista que esta idéia não é boa porque tal conceito, em seu entender, atenta contra a integração. O que significa que o interesse interno ainda deve prevalecer e este sinaliza para o estímulo à produção como meio natural para garantir o interesse maior da população nacional.





