Editorial Auto-suficiência energética Graças à entrada em funcionamento de sete novos poços da bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e ao aumento da produção da plataforma de Urucu, na Amazônia, a Petrobras bateu seu recorde de produção no último dia 10, atingindo o total de 1.256.000 barris de petróleo. O Brasil terminou o ano de 1999 com uma produção média diária de 1 milhão de barris e pretende chegar a 1,5 milhão diários no final de 2000. Graças a um ambicioso plano de investimentos para o próximo quinquênio, a Petrobras pretende assumir a liderança latino-americana e chegar a 2 milhões de barris diários em 2005, com o que o Brasil obterá praticamente a auto-suficiência, meta buscada desde a eclosão da chamada ‘guerra do petróleo’, nos anos 70. Naquela época, o Brasil, altamente dependente da importação, enfrentou uma terrível crise com a quadruplicação dos preços do produto no mercado mundial. Começou então um trabalho intenso, que além de buscar alternativas energéticas visou fontes internas de produção. Esta notícia vem pouco depois do anúncio, feito há dias pelo jornal britânico ‘Financial Times’ de que Petrobras estava contraindo um empréstimo de US$ 239 milhões, com prazo de 15 anos, para financiar as suas atividades de exploração. A operação faz parte dos esforços da empresa em estender os prazos de suas dívidas e ajudar a financiar um ambicioso programa de investimentos de US$ 33 bilhões até o ano 2005, para atingir a meta de produção dos 2 milhões de barris de petróleo diários. O diretor-financeiro da empresa, Ronnie Moreira, destaca que o empréstimo demonstra a aprovação do mercado pelo fato de a empresa estar exibindo maior transparência, além da maior confiança em sua situação financeira. É sempre oportuno rememorar a falha política adotada pelo Brasil, até 1970, em relação ao petróleo. Depois de superada a tese segundo a qual o Brasil não tinha petróleo, quando as primeiras explorações revelaram a existência do produto (o primeiro poço foi descoberto em Lobato, na Bahia), uma outra teoria foi lançada: o petróleo brasileiro era caro demais, o que vinha do exterior era muito barato, não valia a pena gastar dinheiro para buscar aqui o que se podia comprar tão facilmente lá fora. A resultante disto foi a crise dos anos 70, provocando enormes dificuldades internas e a recessão dos anos 80, com reflexos que até hoje são sentidos pelos brasileiros. Com a alta nos preços do petróleo, o Brasil mudou sua postura, passou a buscar o óleo em território interno, conseguiu excepcionais resultados na pesquisa realizada no mar e chegou agora a novas marcas que ampliam a esperança da auto-suficiência, com todas as resultantes desta realidade. Pois não se trata apenas de uma questão de orgulho interno, mas de sobrevivência. Não se pode nunca esquecer que a energia constitui a base para a própria vida, de tal modo que nações dependentes em tal setor não podem sequer sonhar em atingir um estágio mais avançado no concerto mundial. Ademais, neste momento, quando os preços do petróleo voltam a disparar no mercado mundial, fica mais evidente a necessidade de se obter plena auto-suficiência no particular, até como imperativo para superar as dificuldades ainda existentes. Com a alta nos preços do produto, o Brasil passa a gastar mais na importação, com prejuízos para seus programas de desenvolvimento. Com a garantia da produção nacional, haverá condições de se usar melhor as divisas e de se conseguir, com mais facilidade, atingir os níveis de superávits na balança comercial, há muito perseguidos.

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