Durante os sempre lembrados anos 50, época em que o Brasil - como de resto praticamente todo o Ocidente - vivia sob um verdadeiro domínio econômico, cultural e até emocional dos Estados Unidos, um político nacional afirmou, em alto e bom som: ‘‘O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil’’. A frase causou enorme irritação da esquerda, provocou polêmicas, serviu para exacerbar um certo nacionalismo xenófobo e permaneceu no folclore político. Aquela foi uma época muita tensa, a chamada Guerra Fria esquentava, os norte-americanos viviam o período de ‘caça às bruxas’, o Brasil se dividia. Havia os adeptos incondicionais do modelo norte-americano e os que o combatiam com todas as forças.
Hoje, o mundo vive nova realidade. Acabou a ameaça de o mundo explodir em um conflito nuclear. Com o esboroamento da União Soviética e a reunificação alemã, uma nova filosofia política e econômica tomou conta do planeta. O desafio que se coloca atualmente para os homens não é o da ideologia política, mas o de vencer obstáculos econômicos. As fronteiras se abrem, formam-se grandes conglomerados multinacionais unindo continentes, existe uma explosão populacional a criar novos desafios, os conceitos se alteram. Ao invés do embate ideológico, tem-se a luta econômica na busca de alternativas capazes de atender aos reclamos dos cidadãos.
As mudanças ocorridas na geografia política do mundo, unidas às alterações da tecnologia que tornaram o mundo um mercado quase sem fronteiras, acabaram produzindo novas dificuldades. Na atualidade, o grande problema que se tornou quase que comum à maioria dos países, desenvolvidos ou não, não é mais o da orientação ideológica, mas o do emprego. Na pobre América Latina, como na Europa Ocidental ou na paupérrima Europa ex-comunista, assim como na Ásia emergente, o maior desafio tem sido o de criar condições de vida adequadas às respectivas populações. E, em toda parte, fala-se que o maior desafio a vencer é o do desemprego.
É inegável, por exemplo, que as alterações políticas ocorridas na Inglaterra e na França, nos últimos pleitos ali realizados, têm como base esta situação de insatisfação das respectivas populações face ao abandono do cidadão. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que levou seu partido a uma vitória consagradora contra os conservadores, foi taxativo ao afirmar, sexta-feira, no Congresso dos Partidos Social-Democratas europeus, que o povo está reclamando da falta de atenção dos políticos às suas necessidades vitais. Ingleses, como franceses ou alemães, questionam uma política que está deixando de lado os seus interesses mais simples.
A verdade é que a Europa enfrenta sérios e graves problemas da falta de empregos. Na Alemanha, a taxa de desemprego cresceu. Enquanto isto, nos Estados Unidos, a taxa de desemprego continua caindo, contrariando todas as expectativas. E, mais, o aumento do número de empregados não está significando um crescimento da inflação. Quer dizer, ao que tudo indica, parece que os Estados Unidos descobriram a fórmula miraculosa de manter o crescimento econômico, dar emprego à sua população e não cair nas garras da inflação.
Ao que tudo indica, chegou a hora de se voltar à questionada frase do passado já que, sem dúvida, hoje o que é bom para os norte-americanos pode ser muito bom para os brasileiros. Afinal, este também é o nosso desafio: dar empregos a quem quer trabalhar e manter a estabilidade. Os economistas das escolas tradicionais dizem que é impossível. Os Estados Unidos mostram que não. Vamos aprender com eles.

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