Editorial
Em menos de três anos, a população do mundo chegará aos 6 bilhões de habitantes, segundo estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a População. O total, embora elevado, é inferior ao previsto há duas décadas, quando se antecipava uma população de 6 bilhões e 500 milhões no fim do século. Atualmente, a população do mundo cresce a um ritmo de 81 milhões por ano, mas há tendência de queda, devido à adoção de medidas para redução da fecundidade em vários países do mundo.
Ainda assim, o mundo está atingindo níveis populacionais cada vez maiores nos últimos tempos. A evolução do crescimento humano, no planeta, tornou-se muito maior a partir da segunda metade deste século. O último grande redutor em tal crescimento foi a 2ª Guerra Mundial, encerrada em 1945, e que provocou a morte de 50 milhões de pessoas, em cinco anos. Depois, o fim do ciclo das guerras globais acompanhado de uma constante evolução nas condições de higiene e saúde - incluindo aí a vitória contra epidemias que, no passado, chegaram a dizimar muitos países - estabeleceu uma nova realidade.
E esta evolução está longe de terminar. Os especialistas, com base em projeções diante dos fatos atuais, indicam que o mundo poderá estar com 8 bilhões de habitantes em 2025, atingindo 9,4 bilhões na metade do primeiro século do novo milênio. Sem dúvida, uma das questões que se levantam é se a Terra terá capacidade para alimentar, abrigar e garantir um mínimo de condições de vida a toda essa gente. A preocupação se torna mais forte quando vemos que o crescimento populacional vem se operando de modo diferenciado nas regiões do mundo. Hoje, 80% dos habitantes do mundo vivem nos países em desenvolvimento, onde o crescimento demográfico é de 1,8% ao ano, contra 0,4% nos países ricos. As regiões industrializadas abrigam 1,1 bilhão de habitantes e contarão com 1,2 bilhão em 2025, segundo a hipótese antecipada no informe da ONU. Durante esse período, a população das regiões em desenvolvimento passará de 4,6 para 6,8 bilhões e nelas os países menos avançados subirão de 610 milhões para 1,1 bilhão.
O desequilíbrio que a situação pode provocar é muito sério e indica que serão necessárias mudanças muito fortes nos programas mundiais, visando não especificamente conter o crescimento populacional mas uma distribuição diferente, o que parece muito mais complicado. O desafio que se coloca então não é apenas o de resolver o problema de um ou outro país, mas de perceber que a situação tende a criar um desnível tão grande entre nações pobres e ricas, o que poderia conduzir até a um outro tipo de conflito, antecipado por ficcionistas, mas cujos efeitos podem ser muito mais graves do que qualquer romance futurista possa prever.
Muitos especialistas consideram que os problemas enfrentados pelo mundo atualmente, entre os quais um aumento generalizado no desemprego, decorrem de mudanças naturais à época. E lembram fatos semelhantes na entrada do século 20, quando o mundo enfrentava alterações profundas devidas, notadamente, à revolução industrial. Hoje, com o avanço tecnológico, o progresso cada vez maior nos setores produtivos, efetivamente surgem desafios que indicam a necessidade de novas fórmulas para enfrentar este tipo de problema. Entretanto, o fim do século 19 não acenava com esse crescimento da população planetária, um fato novo, também decorrente do progresso, mas que reclama atenção e cuidado. O século 21 (que também marca o começo do terceiro milênio) está muito próximo e exige planejamento imediato, para evitar tragédias em um futuro não muito distante.





