A equipe econômica continua a monitorar, de forma constante, a evolução do plano de estabilização, mantendo uma forma de agir que, apesar de algumas críticas, tem funcionado. Desde o início do programa têm ocorrido alterações que, por vezes, levantam justos protestos devido às mudanças de curso. O próprio mercado internacional se queixa disto, o que não é nada bom para o País, pois mudanças nas regras do jogo assustam o volátil capital externo.
Um projeto econômico da magnitude do que foi lançado no Brasil, ainda no governo Itamar Franco, não pode ser inflexível, sob pena de afundar ante a primeira oscilação do mercado. Isto não se discute. O que não se pode fazer é mexer na estrutura geral do programa. As mudanças gerenciais, como nas alíquotas de importação, taxação maior ou menor sobre o mercado financeiro, política de crédito, são obrigatórias em face da realidade econômica, bastante variável, tanto interna quanto externamente.
Dentro desta linha, o trabalho da equipe econômica tem sido coerente. E, salvo alguns erros, está dando resultados. Inclusive porque, quando se nota uma falha, ela é corrigida em seguida. Com isto, os eventuais desvios do programa vão sendo acertados e é em função desse acompanhamento que, apesar dos muitos problemas já surgidos - inclusive quebras externas, como a crise do México -, o Plano Real continua firme no seu terceiro ano de vida, vencendo todas as previsões pessimistas que o acompanham desde o nascedouro.
A mais recente mudança anunciada na reunião do Conselho Monetário Nacional foi a proibição de parcelamento nas compras internacionais feitas com cartão de crédito. Imediatamente surgiram as queixas, principalmente dos diretamente atingidos, os ‘compristas externos’, que gastaram nos primeiros quatro meses do ano, no exterior, 1,2 bilhão de dólares. No momento em que o País enfrenta sérias dificuldades para reequilibrar sua balança comercial, esta medida, ainda que atingindo apenas um segmento, é uma tentativa necessária para fechar um pouco uma torneira pela qual saíram, no ano passado, nada menos que 10 bilhões de dólares de nossas divisas - ou 10% de tudo que foi comprado do exterior.
Com a medida, os compristas e importadores de supérfluos vão ter de se conter, pois o parcelamento é um incentivo a gastos maiores. Isto não vai resolver todo o problema do desequilíbrio comercial, mas é um sinal de que os gestores do programa econômico estão atentos para a questão. Durante muito tempo eles mesmos desprezaram o problema, considerando-o menor. Vê-se agora que mudaram de idéia, e isso é bom. Ademais, com isto pode haver também uma mudança no perfil de consumo interno.
Adicionalmente, é alentador sentir também que o Conselho Monetário Nacional preferiu não mexer, ainda, nos instrumentos de crédito interno. É verdade que já houve uma alta no IOF, encarecendo o crediário. Mas outras medidas para restringir as vendas a prazo não saíram. O mercado interno respira e não se inibe a produção, que é a mola efetiva para o desenvolvimento sem inflação.

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