O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP no mês de novembro subiu 0,34%. A alta de outubro havia sido de 0,58% e a previsão para novembro era de 0,50%. Com este índice, e com a previsão para dezembro de uma taxa entre 0,10 e 0,20%, é possível que 1996 registre uma taxa acumulada abaixo de 10%. É aquilo que se chama de inflação anual de um dígito só. Até novembro, a inflação acumulada foi de 9,84% em São Paulo.
Quando se recorda que nos calamitosos tempos pré-real a inflação era de dois dígitos ao mês e passava dos 40%, é possível sentir com maior intensidade a importância destes números. A Fipe - que mede a inflação só no município de São Paulo - espera que no período de 12 meses iniciado em agosto passado a taxa acumulada ficará próxima de 5%. Desde agosto, a inflação mensal na cidade está abaixo de 0,6%, sinalizando uma taxa anual de 5%, estima o coordenador da pesquisa, Heron do Carmo.
As séries históricas do índice da Fipe mostram que ele fica sempre próximo ao IGP da Fundação Getúlio Vargas, que mede a inflação nacional. Todos os indicadores têm sido, nos últimos meses, muito semelhantes, até mesmo o ICV do Dieese, também medido na capital paulista e muito discrepante dos demais no ano passado. Todos apresentam nítida e constante tendência de queda.
As perspectivas são tão boas para o curto e médio prazo que a Fipe já está revendo, informou o coordenador, suas previsões para os 12 meses de 1997. O otimismo se baseia no fato de a economia já ter absorvido o impacto do aumento das tarifas públicas - combustíveis, energia elétrica, água e esgoto, principalmente. Ao mesmo tempo, alimentos e outros produtos essenciais estão tendo altas moderadas, enquanto os produtos industrializados registraram queda. Mesmo os gastos maiores com as festas de fim de ano não chegam a preocupar os especialistas, que percebem uma tendência mais conservadora dos consumidores, o que servirá para evitar altas inesperadas.
Mais importante que os índices, porém, é a percepção pública. Pouco valeria apresentar números positivos se a situação real evidenciasse outra coisa. O que se tem no momento é diferente. A população está vendo que, de fato, a maioria dos preços muda muito pouco, e o que sobe é compensado pelo que cai. Assim, no fim do mês, pode ver que gastou a mesma coisa que no mês anterior. E está satisfeita com isto. Os brasileiros estão vivendo uma fase diferente em sua vida e estão gostando.
Isto se reflete na popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso, que é, naturalmente, considerado o grande condutor do processo. A última pesquisa Ibope, divulgada esta semana, mostra que 61% dos entrevistados aprovam o presidente e 79% o Plano Real. O índice do presidente subiu 5 pontos em relação a agosto. Ele só perde em popularidade para seu antecessor, o presidente Itamar Franco, que atingiu 66% ao deixar o Governo.
A continuidade do processo de estabilização fará crescer ainda mais o apoio ao presidente, o que é natural. Os números são expressivos, assim como os da queda da inflação. Todos, porém, mais do que representam por si mesmos, implicam uma responsabilidade ainda maior do presidente e do seu governo para que o processo se consolide e a estabilidade seja durável. Mais do que qualquer outro, o presidente Fernando Henrique Cardoso está comprometido com a estabilização e precisa levá-lo a cabo, o que inclui a redução do déficit público e a conclusão das reformas estruturais. Isto não só para manter a popularidade, mas para realizar o que se propôs quando se lançou candidato à Presidência da República.

mockup