Editorial
A criança e o futuro
Amanhã, que é feriado no Brasil, comemoração do Dia da Criança e em que também se festeja Nossa Senhora, é data que marcará um fato especial para o mundo. Nesse dia chegará à Terra o 6.000.000.000º ser humano. Isto representa quatro vezes mais do que há um século, duas vezes mais do que em 1960. Nos últimos dez anos, o mundo teve o acréscimo de mais um bilhão de criaturas humanas. Não se informou, com exatidão, o momento em que este evento ocorrerá, nem em que local do mundo. O total não é tão grave quanto o que era previsto há alguns anos. Os técnicos no assunto falavam de uma bomba demográfica e previam que o mundo teria em 2050 um total de 9,4 bilhões de habitantes. Houve uma revisão, diante de fatos novos, e a projeção atual é a de que dentro de meio século o total chegará a 8,9 bilhões de pessoas.
A taxa de crescimento humano diminuiu nos últimos anos. Era de 2% ao ano em 1970; agora, não chega aos 1,33%. Acontece, porém, que mesmo esta redução não chega a ser animadora, na medida em que sinaliza para a continuada progressão do total de habitantes para um mundo que se mostra, já agora, incapaz de atender às necessidades de todos os terráqueos. Ademais, um outro fator também merece atenção. É que o crescimento da população é bastante desigual. As zonas ricas são estáveis. Ásia, Oceania e África explodirão. Em 2050, a Ásia contará com 5 bilhões. A Índia terá ultrapassado a China. E a Europa verá sua população se reduzir.
Dos 6 bilhões de habitantes que se completam amanhã, 900 milhões de pessoas, incluindo 200 milhões de crianças de menos de 5 anos, são desnutridas, todas elas nas zonas em que é maior a taxa de natalidade. Percentualmente, é possível observar um avanço: há meio século, dois terços da humanidade passavam fome. Hoje, os índices apontam 15%. Todavia, existem preocupações diante do crescimento populacional. Muitos entendidos se mostram francamente assustados, sustentando que a Terra não terá como alimentar e abrigar tanta gente. E fazem previsões dantescas para um futuro próximo. Existem, porém, os otimistas, que consideram que com o avanço da tecnologia será possível resolver as questões que envolvem um total de gente como jamais houve na face do planeta. Em meio a tais debates, ainda surgem os que levantam aquele que parece ser o problema crucial para a sobrevivência humana: o da água. Neste ano, 430 milhões de pessoas, ou seja 8% da população mundial, vivem em países onde a água é insuficiente. Em 2050, a taxa subirá para 25%, segundo as previsões.
Chega a ser oportuna, do ponto de vista brasileiro, a coincidência de o habitante de número 6 bilhões chegar precisamente no Dia da Criança. Há séculos se fala, no Brasil, como no mundo, que a criança é o futuro. Infelizmente, este futuro não tem sido adequadamente preparado. Só em anos recentes é que começou a se observar um trabalho real e correto para garantir de fato às crianças uma condição melhor. O aprimoramento da consciência de cidadania no Brasil, algo recente, quase coincidente com as medidas de estabilização e com uma legislação mais concreta em defesa do consumidor, também serviu para alavancar o entendimento sobre a importância da proteção à criança.
Pode até acontecer de nascer no Brasil esta criança que marca um novo bilhão na faixa populacional da Terra. Para ela, ou para as milhões de outras que vivem hoje, será bom se esta consciência de proteção e amparo se ampliar para que as nossas crianças possam, de fato, ter um bom presente e a perspectiva de um futuro melhor. É um bom propósito para este Dia das Crianças.





