Alerta ecológico
Segundo pesquisa organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUE) junto a 200 especialistas de 50 países, a falta d’água e o aquecimento do planeta serão os problemas mais preocupantes do século XXI. Este informe do PNUE, intitulado GEO-2000, apresenta uma perspectiva alarmante: o ciclo mundial de renovação da água parece incapaz de responder à demanda nas próximas décadas. Ademais, a degradação da Terra anulou muitos avanços conquistados na produtividade agrícola, a poluição do ar atingiu níveis de crise em muitas cidades e o aquecimento global aparece atualmente como inevitável. O PNUE constata que o meio ambiente continua de fora das principais correntes de consciência dos homens.
Segundo o programa da ONU, a integração da reflexão sobre o meio ambiente nos processos de decisão – em relação à agricultura, comércio, investimento, pesquisa, desenvolvimento ou finanças – representa atualmente a melhor, talvez a única, oportunidade de se chegar a ações efetivas. Ocorre, porém, como lamenta o Programa, que os bancos centrais, os organismos comerciais e de planejamento deixam com frequência as soluções de desenvolvimento duradouro em proveito das alternativas econômicas de curto prazo.
Essa advertência, que representa um alerta dos mais sérios sobre o próprio futuro da raça humana, foi lançada há menos de três meses durante a conferência ministerial encarregada de lançar um ciclo multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que se realizou na cidade norte-americana Seattle. Todavia, o resultado do levantamento apresentado ali, como tantos outros que vêm sendo feitos nos últimos anos, parece não encontrar muito eco, apesar de todas as evidências a respeito da crítica situação em que o planeta se encontra. O informe da ONU a respeito lembra que um dos grandes desafios atuais é o de promover a liberalização do comércio, ao mesmo tempo em que se reforça a proteção dos recursos naturais, condição fundamental para que a humanidade possa continuar vivendo em condições adequadas na face da Terra.
Em um detalhamento do referido estudo, informa-se que na região Ásia-Pacífico, onde vivem 60% da população mundial, um em cada três moradores não tem acesso a água potável, sendo que a falta d’água será um fator que limitará a produção de alimentos. São também citadas no informe uma dezena de cidades em que a poluição por gases excede em pelo menos cem por cento os níveis estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), entre elas Bangcoc, Pequim, Calcutá, Nova Delhi, Seul e Xangai. Nestas cidades asiáticas, o nível de fumaça e pó é pelo menos cinco vezes maior que o de países industrializados. Na África, que perdeu 49 milhões de hectares de bosques tropicais entre 1980 e 1995, é alarmante a falta de especialistas, o que agrava os problemas do meio ambiente.
Há algumas décadas, previsões alarmantes sobre o futuro do homem na Terra eram uma exclusividade dos autores de ficção. Mesmo entre estes, a maioria antecipava destruição em consequência de alguma guerra nuclear. Poucos eram os que anteviam a tragédia provocada pela falta de consciência ecológica que levaria à destruição pelo homem do seu meio ambiente. Atualmente, como confirma este relato do programa da ONU, as perspectivas mais negativas estão se tornando reais. Com a população da Terra chegando, no próximo outubro, a 6 bilhões de pessoas, é perceptível que se torna urgente a conscientização mundial sobre o assunto para que se possa tentar reverter um quadro altamente perigoso para o futuro da raça humana.

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