A entrada do petróleo iraquiano no mercado mundial, dentro do programa destinado a garantir alimentação para o povo daquele país, mostra que o combustível poderá baixar de preço nos próximos meses. O Iraque volta a vender seu principal produto depois de vários anos de proibição e a este fato junta-se outro, igualmente importante: as violações de países membros da Opep, que estão vendendo mais do que o acertado.
Para os países ainda dependentes da importação, a notícia é das mais alentadoras, garantindo redução nas necessidades de despesas com o produto. Paralelamente, isto também indica que apesar das previsões feitas há alguns anos sobre o esgotamento das reservas petrolíferas do mundo, ainda há suficiente combustível debaixo da terra (e da água) para garantir ao mundo período razoável de tranquilidade em relação à energia.
Este tipo de informação é alentadora, mas deveria provocar adequada reação dos governos. Afinal, ainda está bem presente na memória o verdadeiro pandemônio que se seguiu ao primeiro grande choque de petróleo, no começo dos anos 70, quando os países produtores se organizaram e quadruplicaram os preços. Houve outro choque depois, ocorrendo também pressão política, quando de uma das muitas crises no Oriente Médio, envolvendo Israel e os países árabes. Foi a partir daquela época que muita coisa mudou no mundo, inclusive a visão, existente até então, de que o petróleo seria fonte inesgotável e barata de energia para a humanidade.
Por causa da crise, muitos países tiveram de mudar seu modo de encarar o problema. O Brasil, sem dúvida, deu exemplo à altura na época, desenvolvendo o programa de álcool e, com isso, uma frota de veículos movida pelo combustível renovável (e que não precisava ser importado), ao tempo em que se investiu muito na construção de usinas hidrelétricas e se iniciavam outros projetos para exploração alternativa, inclusive a da energia solar. Também houve forte estímulo à prospecção do petróleo em território nacional, desenvolvendo-se tecnologias que possibilitaram a descoberta e exploração de combustível em plataformas submarinas.
Infelizmente, porém, até pela adaptação mundial aos novos preços e diante da quase certeza de que não se repetiria aquela alta inusitada, houve de novo afrouxamento no trabalho visando conquistar a auto-suficiência energética, fator vital para qualquer país do mundo. Voltou-se, e não só no Brasil, à velha idéia de que o problema não era urgente, deixando-se de lado os investimentos e as pesquisas. O Brasil parou com o desenvolvimento do seu programa de álcool, que hoje, caso tivesse prosseguido, poderia estar em fase muito adiantada. Pior, diminuíram os investimentos em energia elétrica e a ameaça de blecaute que paira hoje sobre as regiões mais industrializadas do País é consequência também disto. Quanto à energia solar, pouco se avançou.
Ora, os governos não podem se preocupar apenas com questões imediatas. Planejar, pensar o futuro, antever as necessidades vindouras é mais que uma necessidade, é uma obrigação desta geração com as que virão. Ainda que haja petróleo para atender às necessidades do mundo pelos próximos séculos, será importante pensar na questão da auto-suficiência energética. Pois o petróleo que o Brasil produz, atualmente, não é suficiente para atender as suas próprias necessidades. E está com déficit de energia elétrica, não tem cuidado de ampliar a produção de álcool, não pesquisa nada em relação à energia solar ou mesmo à eólica, outra fonte disponível para exploração. Ainda há tempo, mas o compromisso do Brasil com o futuro exige que se cuide melhor desta questão a longo prazo.

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