Elevar impostos para conter o consumo constitui uma das muitas alternativas disponíveis pelos governos para tentar equilibrar as coisas no mercado. Como se sabe que o consumo elevado também pode provocar um tipo de pressão inflacionária, tem-se que, quando se observa um crescimento na demanda, é preciso enfrentar o problema, até como medida preventiva, ainda mais numa economia, como a brasileira, que está em luta franca e direta contra a inflação. Por outro lado, aumento de impostos também produz uma pressão sobre os preços, o que igualmente age em relação aos níveis inflacionários.
A questão toda é complicada, porque o processo econômico é extremamente fluido e sensível. O governo brasileiro, principalmente desde o lançamento do programa de estabilização, tem realizado verdadeiras acrobacias para conduzir o processo através de tais dificuldades. Até agora, como os próprios números da inflação o revelam, o esforço tem dado certo. Persistem, porém, muitos problemas, reclamando sempre uma contínua atenção e adequação do governo para evitar, em muitos casos, efeitos colaterais indesejáveis. Por exemplo, quando se adotam medidas para conter o consumo, criam-se condições negativas para o trabalho, o que pode prejudicar o esforço visando melhorar a situação do emprego, que é, também, um assunto que precisa merecer a maior atenção.
Na verdade, o que diminui um pouco a preocupação, ante o anúncio do aumento do IOF para as operações de crédito das pessoas físicas, é não apenas a percepção de que se trata de uma elevação suave (como assinalaram as próprias autoridades do setor) mas, também, a observação de uma ação governamental direcionada a setores da produção, notadamente a agricultura. Com efeito, conter a demanda pode ser necessário em dado momento. Mas é inegável: a melhor alternativa para nosso País - que enfrenta tanto a ameaça da inflação quanto as dificuldades enormes de ampla faixa de sua população - é tratar de conseguir aumentar a oferta de produtos. Quer dizer, é vital estimular a produção.
Participando da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou que o governo está finalizando uma política agrícola permanente, para tornar o setor mais competitivo. Eis aí, sem dúvida, uma notícia altamente alentadora, tanto porque evidencia a preocupação com o mais importante setor produtivo nacional, que é a agricultura, como pelo fato de oferecer ao produtor aquela garantia que ele reclama há décadas de uma política consistente, coerente e permanente. Os agricultores, garantiu o sr. Fernando Henrique Cardoso, não vão precisar esperar mais, todos os anos, por definição oficial sobre liberação de recursos.
No momento em que o Brasil se voltar, mesmo, para o campo - o que significa tanto a agricultura quanto a pecuária - estará aberto o caminho real não só para a consolidação do plano de estabilidade, mas para que os brasileiros possam, efetivamente, encontrar o caminho do desenvolvimento. É o meio para que o País deixe, definitivamente, o lodaçal do subdesenvolvimento, que ainda faz com que milhões de pessoas passem fome em cima do solo mais fértil do mundo.
Com uma adequada política de estímulo à produção, o Brasil abre efetivamente as portas para sua redenção. O presidente anunciou, com firmeza, que ainda serão pedidos sacrifícios ao povo, nesta fase delicada que todos atravessam. Os brasileiros, em geral, não têm fugido a isso. Vêm aceitando e assumindo sacrifícios há muito tempo. O Plano Real tem-se revelado correto. Por isso, o povo certamente pretende continuar a lutar, confiante em que o futuro será melhor.

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