Brado da segurança
No passado, sequestros, assaltos a banco, crime organizado, chacinas e assassinatos em série eram situações que aconteciam nos chamados ‘‘países desenvolvidos’’, especialmente os Estados Unidos. Eram quase um tipo de ficção que o cinema mostrava ao mundo. Nos últimos tempos, a globalização também atingiu o crime e, hoje, tudo o que ‘‘só acontecia lá fora’’ começou a ocorrer entre nós, primeiro nas grandes cidades e agora por toda parte. Sequestros, assalto a bancos, tráfico - todo tipo de violência está passando a fazer parte da realidade do cotidiano brasileiro. Neste fim de semana, Londrina foi palco de um assalto ao estilo cinematográfico norte-americano, com as famílias de três funcionários de uma empresa de transporte de valores servindo como reféns para a maior operação desse tipo já realizada por aqui, conforme assinalou a polícia. Ao lado disso, em Londrina como em todo o Estado, há um misterioso desaparecimento de menor, assaltos, agressões. Infelizmente, o crime deixou de ser uma coisa vista em filmes para se tornar parte do nosso dia-a-dia.
Mais grave é a polícia admitir sua própria incapacidade no combate ao crime. Corremos o risco de aceitar essa situação com o fatalismo das coisas impossíveis de prevenir ou evitar, o que, naturalmente, produz uma sensação ainda mais terrível de impotência da coletividade ante uma ameaça cada vez mais presente. E não há como aceitar esse tipo de reação. A violência, o crime, todas as manifestações que ameaçam a sociedade representam desafios que não podem ser recebidos com um dar de ombros ou com a desconfortável afirmativa de que não há polícia que possa conter o crime. Não só é importante considerar que a sociedade pode vencer a criminalidade, como é fundamental, até para que prevaleçam os conceitos de civilização, que isso seja exigido e realizado.
Dentro da sistemática que rege a vida na sociedade brasileira, incumbe ao Estado garantir a integridade dos cidadãos. No Brasil, mais ainda do que em outros países (como os Estados Unidos, por exemplo), não existe a discutível tradição da defesa própria, do uso indiscriminado de armas. De modo geral, prevalece a tradição segundo a qual cabe ao poder público garantir a segurança do cidadão. É uma das mais fortes responsabilidades do governo para com o povo. Muita coisa, que se considera deva ser provida pelos governos, pode ser resolvida pelo cidadão, inclusive questões de saúde e educação. Mas a segurança é um terreno quase intocado pelos brasileiros. Exigir que as autoridades a garantam é um dos mais importantes direitos da cidadania.
No Paraná, como no Brasil, é importante que esse conceito se torne cada vez mais forte e que o despertar de consciência se torne um movimento irresistível. A exigência de segurança constitui um direito fundamental para a população. De acordo com a Constituição, cabe aos governos estaduais garantir a segurança, aparelhando a polícia e investindo na formação dos seus agentes. A falta de recursos não pode ser desculpa diante da situação que vivemos. O poder público deve assumir seu papel e dar segurança aos cidadãos. Hoje, mais do que em qualquer época, as pessoas têm consciência cívica de deveres e direitos. É um bom meio de celebrar a Independência, não mais aquela dada por um príncipe, mas a que o cidadão está conquistando a cada dia em sua nova consciência.

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