A mudança determinada pelo Conselho Monetário Nacional no cálculo do percentual de recursos que os bancos devem aplicar em crédito imobiliário representa, na prática, redução das verbas para os programas habitacionais. O CMN determinou que os cálculos devem levar em conta os últimos 12 meses de depósitos em poupança - e não o semestre, como até agora -, e como houve queda acentuada no volume de depósitos, que só se recuperaram a partir de dezembro, haverá diminuição no volume a ser aplicado.
No momento em que o desemprego é o mais sério problema da população, este tipo de decisão é negativa. A indústria de construção civil tem enorme capacidade de absorção de mão-de-obra. Foi nos períodos de maior intensidade dos investimentos nesse setor que o País obteve, em outros tempos, grande melhora nos padrões de emprego. Paralelamente, a queda no emprego acompanha a curva descendente da construção.
Há outros setores que reclamam investimentos e que podem responder bem, como o campo. Mas nem este, nem aquele e nenhum outro têm merecido do Governo a prioridade reclamada. Paralelamente, persiste a tendência, hoje irreversível, de se ampliar a automação em numerosos setores da produção, o que vai aumentar o desemprego, a necessidade de retreinamento de pessoas e a abertura de outras frentes.
Sob qualquer circunstância, o necessário no momento é criar rapidamente novos empregos, em especial para os trabalhadores de menor qualificação. Nesta linha, seria lógico estimular o investimento na área de construção civil. A determinação do CMN vai na contramão desta necessidade. É possível que a medida vise chamar mais a atenção para a poupança, estimulando um instrumento que é, sem dúvida, da maior validade com vistas à criação de recursos internos disponíveis para investimentos na área produtiva. Mas se for este o caso, é uma forma oblíqua de agir, criando um problema e nem sequer sugerindo alguma coisa para melhorar o desempenho da poupança como um todo.
Há descompasso entre as áreas que definem as grandes normas da política econômica nacional. Falta, seguramente, um tipo de ajuste interno para que o esforço coletivo seja direcionado para os mesmos objetivos, ainda mais quando se trata de problemas como o do desemprego, cuja solução é um imperativo para a continuidade do processo econômico que o Brasil vive. Sem uma política concreta capaz de estimular os investimentos geradores de emprego, serão cada vez maiores as dificuldades para a população. E não se pode esquecer nunca que o déficit de emprego no Brasil é dos maiores, aumentando a cada ano com o ingresso de jovens no mercado.
Adicionalmente, o déficit habitacional brasileiro também é imenso. Hoje, cresce a cada dia o número dos que vivem em condições precárias. No caso, são dois problemas: faltam residências e a população não tem condições para adquirir ou alugar moradia compatível com a dignidade humana. Investir na indústria de construção civil, com firmeza, seria o encaminhamento natural para atacar estes desafios, gerando mais empregos e dando a quem trabalha condições de morar melhor.

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