Editorial
Hora de crescer
O Informe Conjuntural divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria faz importante e ponderada análise da atual situação econômica, considerando que há, de fato, um aquecimento da economia, mas concluindo que isto não torna necessário, automaticamente, a adoção de medidas para frear este crescimento, ainda mais porque o processo de recuperação que se observa no País vem acontecendo de modo suave.
Debate-se neste momento, no âmbito econômico, a necessidade ou não de medidas de contenção. Alguns analistas prevêem que o governo tomará medidas sérias logo no começo do próximo ano, para evitar que a atividade econômica saia de controle. Ontem, na solenidade de anúncio de investimentos da General Motors, o presidente Fernando Henrique Cardoso comentou que seu governo está apenas controlando o ritmo do crescimento do País, para não causar danos à economia e manter a estabilidade da moeda, que é fundamental para a população. Recentemente, o ministro da Fazenda afirmou que o governo não vai parar o crescimento econômico do Brasil.
A questão é saber como manter o controle do ritmo sem produzir um recuo que pode ter consequências recessivas. O presidente contestou, no pronunciamento de ontem, que o Brasil esteja passando por uma recessão. Mas o problema não é de palavras e sim de realidades. E é certo que a adoção, neste momento, de medidas de contenção, pode prejudicar o esforço que vem sendo feito até agora. Ainda mais porque, como diz o Informe Conjuntural e a percepção de cada um, a retomada do crescimento ainda não foi suficiente para resolver a maior parte dos problemas econômicos e sociais do País.
O Brasil precisa, neste momento, de um trabalho concreto de estímulo à produção. Não se pode mais aceitar o dimensionamento negativo que se fez nas últimas décadas e que não levou em conta a possibilidade de emergir no mercado a multidão de brasileiros que se encontrava marginalizada pela miséria e subemprego. O Plano Real resgatou boa parcela dessa população. O trabalho ainda está longe de ser concluído e um enorme contingente de brasileiros espera uma oportunidade para trabalhar, produzir e consumir. Por isso precisamos de estímulos para a produção.
O aquecimento natural dos negócios no fim de cada ano não deve ser usado como argumento para os que querem, outra vez, acionar os freios. Ao contrário, esta situação pode ser usada corretamente para estabelecer fortes bases com vistas à continuação do processo de crescimento no próximo ano. O trabalho das autoridades econômicas tem se caracterizado pela busca do equilíbrio: quando a demanda se aquece, as importações são estimuladas; quando é preciso proteger o produtor interno, as taxações são redobradas, mesmo que antes tenham sido reduzidas. Por que não tentar o mesmo com a produção - pode ser por setores - a fim de reduzir o desemprego? O emprego deveria ser tão importante quanto qualquer uma das variáveis privilegiadas pela teoria econômica.
Produzir mais, dar trabalho aos que estão fora do mercado e que vão se tornar consumidores. Que mal pode haver nisto, se não houver pressão sobre a moeda? É por aí que será possível estabelecer as verdadeiras bases para o crescimento ordenado e continuado da economia brasileira, mantendo-se, sem sacrificar ainda mais o povo, a necessária estabilidade da economia.





