A Organização de Estados Americanos (OEA) abriu ontem, na Guatemala, talvez a mais importante de suas assembléias gerais, a última deste século, buscando a reestruturação interna com o objetivo de entrar no século 21 de acordo com a nova ordem internacional. A reestruturação da OEA, já em andamento, abrangerá a revisão de sua atuação, assim como futuras ações nos planos administrativo, político e financeiro. Temas que figuram na agenda de trabalho são a revisão da instrumentação dos acordos da Cúpula das Américas e um diálogo entre os chefes de delegação sobre o impacto das crises econômicas internacionais na agenda hemisférica. Os representantes também discutirão o tema das drogas no continente, a consolidação democrática e a evolução dos direitos humanos.
O objetivo da transformação da Organização, que nasceu há 51 anos, dentro do clima de guerra fria, com uma visão mais política que econômica, é fazer com que a organização se torne o organismo de diálogo e consenso político que o hemisfério necessita para enfrentar o desafio do século que vai começar, conforme a opinião do ministro das Relações Exteriores guatemalteco, Eduardo Stein.
Os diplomatas americanos devem centralizar sua atenção na busca de mecanismos ágeis para quando existirem riscos de rompimento da ordem em algum dos países membros, ações que atualmente requerem várias horas e até dias, informou Stein. Como parte dessa reestruturação, a delegação dos Estados Unidos tentará conseguir a aprovação de um novo mecanismo preventivo contra as interrupções do sistema democrático com a designação de um ‘‘Grupo de países amigos’’, que gestionará saídas pacíficas e constitucionais para conflitos internos e entre nações.
Ao lado da questão política, a preocupação manifestada pelos delegados à Assembléia da Organização se volta igualmente para problemas de segurança, que representam hoje uma ameaça para o mundo civilizado. A percepção da necessidade de uma ação conjugada a fim de enfrentar com mais firmeza o crime organizado está crescendo, tornando-se um consenso a exigir atitudes concretas diante de um desafio que parece invencível. A Assembléia deve firmar um convênio sobre a transparência na venda de armamento, em um esforço efetivo para conter o contrabando, numa época em que a violência está reclamando atitudes objetivas das autoridades no confronto com o crime. Igualmente importante, porém, é o debate sobre medidas concretas e profundas para transformar o combate ao tráfico de drogas uma ação hemisférica, talvez a única alternativa para enfrentar o narcotráfico no continente.
Paralelamente à segurança, é certo que para a OEA este é o momento de aprofundar a reforma econômica, dentro mesmo do espírito de globalização que atinge o mundo e que exige de organismos regionais da amplitude da organização uma adequação que forneça instrumentos para se colocar no nível dos outros blocos que surgem pelo mundo. Os Estados membros devem dar prosseguimento ao processo de criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), prevista para o ano 2005, uma consequência natural mesmo dos programas mais regionalizados - como o Mercosul -, que estão ganhando força nos últimos anos. A atitude da França, que acaba de vetar, em reunião da União Européia, projeto para o início de negociações entre a Europa e o Mercosul, para integração dos blocos, mostra bem a realidade mundial. A América precisa se unir e se fortalecer comercialmente para enfrentar com alguma possibilidade o grande desafio comercial do novo milênio.

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