Editorial
No Dia Mundial da Saúde, que se comemora hoje, a Organização Mundial de Saúde (OMS) faz um apelo para que todos os países reajam em conjunto contra o retorno das doenças consideradas erradicadas e contra o surgimento de novas pragas. O otimismo provocado pela erradicação da varíola e pela previsão de eliminar outras seis enfermidades deu lugar a um sentimento de falsa segurança, que favoreceu a propagação de outras doenças numa velocidade alarmante, segundo a entidade. A malária e a tuberculose fizeram retorno mortal em várias regiões, enquanto reapareceram a peste bubônica e pneumônica, a difteria, a dengue, a meningite, a febre amarela e a cólera. Nos últimos 20 anos, foram identificadas 30 novas doenças altamente infecciosas, como a febre hemorrágica do tipo Ebola, a Aids e a hepatite C. Para muitas dessas enfermidades sequer existe cura, tratamento ou vacina.
A luta do homem contra a doença tem feito parte da própria história da humanidade. E é inegável que os avanços foram fantásticos, notadamente nesta última metade do século 20. A perspectiva de vida dos seres humanos foi aumentando na medida em que vacinas, novos e mais poderosos medicamentos, melhores condições de vida, medidas profiláticas, todo um elenco de esforços se fez neste importante campo. O Brasil, neste quadro, conseguiu também enormes avanços, registrando melhora sensível na previsão de vida da população. A poliomielite, graças ao trabalho constante e sério, hoje pode ser considerada vencida, sem novos casos nos últimos anos. Muitas outras doenças também foram contidas.
Todavia, conforme salienta bem acertadamente a Organização Mundial de Saúde, houve um certo amolecimento das autoridades diante dos resultados obtidos nos últimos tempos. Conforme denuncia o principal dirigente da OMS, países ricos e pobres reduziram os recursos destinados à saúde pública. E com isto, muitas doenças consideradas erradicadas começam a ressurgir. No Brasil, a tuberculose registra aumento no total de casos, ao tempo em que também a dengue e outros males, que poderiam ter sido vencidos, voltam a preocupar. Até mesmo doenças que podem ser evitadas pela vacinação se manifestam de novo. Isto sem contar a epidemia de Aids, que continua a crescer apesar das intensas campanhas de esclarecimento realizadas aqui e no exterior.
Diante das filas imensas que se formam frente aos hospitais públicos, do quadro verdadeiramente caótico da saúde em quase todo o país, da falta de recursos para oferecer o mínimo de condições para a população, é preciso que, conforme bem destaca a OMS, haja retomada na luta contra a doença, em todos os níveis, inclusive com medidas para reduzir a miséria, fonte de muitos males. Este final de século, que se prenunciava como positivo, com o final de muitos dos conflitos que varriam o mundo, com o encerramento da assustadora guerra fria, se apresenta bem menos positivo como se esperava, inclusive pela falta de uma atenção maior e mais concreta aos problemas que afetam a população no mundo.
É vital que de modo global e individual a luta contra a doença seja retomada plenamente, para permitir que a situação mundial se altere, em benefício da humanidade. Os sucessos obtidos ao longo dos séculos, e mais especialmente a partir da metade deste, indicam claramente que é possível não só vencer as doenças, mas dar aos seres humanos perspectivas de vida mais longa, saudável e, em consequência, mais produtiva.





