Editorial
Confiança na imprensa
Pesquisa realizada pelo Ibope, sob os auspícios da Confederação Nacional da Indústria, sobre a confiabilidade nas lideranças e instituições do País, apresenta conclusões verdadeiramente dignas de aprofundamento. Segundo o trabalho, a Igreja Católica tem a confiança de 75% da população brasileira, liderando o ranking. Em segundo lugar vem a Igreja Evangélica (50%), seguida dos jornais (49%), TVs (42%) e Poder Judiciário (37%). Em seguida, situa-se o presidente Fernando Henrique Cardoso (35%) e depois, pela ordem, empresários (33%), governadores (32%), prefeitos (29%), Congresso Nacional (24%) e partidos políticos (15%).
A liderança das principais Igrejas do País em termos de confiabilidade popular não chega a ser discutível ou estranhável. Um país como o Brasil teria de ter entre as entidades que desfrutam da maior confiança da coletividade, precisamente as Igrejas que representam, na soma, uma esmagadora maioria da população. As instituições que vêm em seguida é que despertam atenção. Primeiro porque o presidente da República se situa abaixo até do Judiciário, o que, na verdade, reflete inclusive o decréscimo de sua popularidade, igualmente detectada na referida pesquisa. Depois porque abaixo do presidente e do empresariado estão governadores, prefeitos, o Congresso e os partidos políticos. Essa baixa confiança, na verdade, também não chega a surpreender, ainda mais diante de outra pesquisa, esta a revelar que ponderável parcela dos jovens brasileiros considera uma ditadura mais eficiente que a democracia. O que se percebe é a realidade que vem sendo destacada há tempos sobre a queda de prestígio dos políticos junto à população, fruto, na maior parte das vezes, de atos que são cometidos por muitos deles e que vêm sendo veiculados com frequência cada vez maior pela imprensa.
A posição da imprensa neste quadro, aliás, com os jornais figurando em terceiro lugar, com o expressivo índice de 49% de confiança, e as emissoras de TV ficando logo abaixo, com 42%, reflete bem uma realidade que a população está percebendo: a importante contribuição que os orgãos de comunicação social estão dando para o aprimoramento da cidadania. Vale rememorar que, antes mesmo da redemocratização, a imprensa brasileira exerceu um papel corajoso na luta contra a ditadura. Manietada, violentada, lutou como podia para a restauração da liberdade, unindo-se ao povo nas manifestações mais corajosas que abriram caminho ao fim do regime militar. Restaurada a democracia, a imprensa continuou e ampliou seu trabalho, fiscalizando, vigiando, denunciando e cobrando. Os principais escândalos que os brasileiros enfrentaram foram primeiramente denunciados pela imprensa, notadamente revistas e jornais. A TV, entretanto, é importante destacar, igualmente vem tendo papel de destaque nesta nova situação. O fato de uma expressiva parcela da população colocar jornais e TVs entre as instituições mais confiáveis, acima até do Judiciário, representa o reconhecimento do trabalho realizado e, adicionalmente, constitui um aumento na responsabilidade dos orgãos de comunicação social.
Nesta nova etapa da vida nacional, o papel que a imprensa desempenha é ainda mais importante diante de certas ameaças que estão surgindo contra a liberdade de informação. É certo que o clima que se implantou no País, após a ditadura, ensejou certos abusos. Todavia, não será pela censura que se modificará isso. A população, que confia nos seus meios de comunicação, demonstra o discernimento que transformou o povo brasileiro em agente de sua própria evolução.





