Estatísticas, até mesmo devido ao universo múltiplo em que são aplicadas, muitas vezes oferecem resultados que podem ser contestados por uma visão mais direta da realidade. Felizmente, não é o que acontece com as informações contidas no trabalho feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e que conclui que o índice de pobreza caiu, nos últimos anos, nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras. Em realidade, a observação simples dos fatos que vêm ocorrendo no País, após o lançamento do plano de estabilização, indicam que, efetivamente, não só naquelas regiões mas em todo o País a situação dos mais pobres está melhorando.
Os próprios pesquisadores do IPEA concordam com esta observação quando concluem que os dados obtidos podem estar sendo subestimados na medida em que se levou em conta o ganho obtido pela população mais pobre graças à queda da inflação. E se isto, de fato, não se percebe plenamente na pesquisa, é possível observar com outros fatores, entre os quais o aumento no consumo de alimentos, uma pequena, mas sensível melhoria na vida de uma imensa parcela da população que vivia marginalizada, em níveis da mais negra miséria. A inflação exacerbada, que beneficiava alguns segmentos - os mais ricos - representava, como enfatizavam sempre as autoridades mais sensíveis, o maior dos problemas para a população carente, que não tinha como se defender da corrosão terrível da moeda.
A quase estabilidade que se obteve a partir do lançamento do Real provocou enormes e importantes benefícios para a camada mais pobre. E o que se observou na atual pesquisa do IPEA, que confirma apenas o que vem ocorrendo ao longo dos últimos tempos, deixa evidente a importância de se manter a atual política e defendê-la, porque ela representa, sem dúvida, a alternativa eficaz para que se vença a maior das injustiças sociais, que já faz parte da história brasileira, com a imensa maioria empobrecida pagando o preço maior pelo descalabro da economia.
A injustiça na distribuição de renda no Brasil tem sido, há décadas, um dos mais flagrantes problemas do País, com os ricos (poucos) ficando cada vez mais ricos e os pobres sendo jogados para níveis cada vez piores. Mudar esta situação parecia um desafio praticamente impossível, a não ser através de algum tipo de ação violenta, o que foi bastante defendido por setores mais radicais, tanto no País como lá fora. Era fácil esquecer que a violência proposta não alterava a equação, apenas mudava os detentores da riqueza, mantendo a injustiça social.
A inteligente engenharia do plano de estabilização revelou que seria possível modificar esta realidade, sem violência, sem revoluções e até mesmo sem choques, confiscos ou truques. Utilizaram-se apenas mecanismos naturais, com uma eficiente estrutura visando eliminar a terrível indexação até o ponto de se poder criar uma nova moeda livre dos vícios que vinham atormentando a vida nacional. O real, que surgiu com apoio pleno da população e sem os defeitos de anteriores e muitas vezes mirabolantes planos econômicos, revelou-se eficaz na sua principal tarefa, a contenção da inflação. E esta simples mudança provocou outras alterações. Como as maiores vítimas da inflação eram as camadas mais pobres, a simples estabilização da moeda, com uma inflação pelo menos civilizada, provocou por si só um efeito multiplicador, beneficiando a faixa mais pobre da população.
Os resultados cada vez mais positivos da luta contra a inflação provocam, naturalmente, a melhoria na vida das mais carentes. Os números mostrados pelo IPEA indicam que está acontecendo precisamente o que se necessita: cai um pouco a participação dos mais ricos na economia, melhora a situação dos mais pobres. Na medida em que persistir esta tendência, mais sensíveis, profundos e duradouros serão os efeitos positivos do atual plano de estabilização. E é isto o que se espera continue a acontecer.

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