As medidas agora adotadas pelas autoridades econômicas no sentido de tornar um pouco mais difíceis as importações se incluem na filosofia que vem sendo seguida desde que foi lançado o plano de estabilização, representando basicamente a sequência do acompanhamento que é imprescindível para manter o plano nos trilhos. Trata-se, assim, de um novo reforço para a economia interna, no momento em que se registra, de maneira inequívoca, o crescimento maior das importações, sem a necessária correspondência das exportações, com o que o déficit comercial se torna cada vez maior.
É importante ressaltar que as novas medidas não incluem alterações nas alíquotas de importação, isto é, não significam mudanças na relação com os produtores externos. Quando se modificam as alíquotas, principalmente para elevá-las, produzem-se reflexos diretos na relação comercial com os países que exportam para o Brasil. As reações, como é natural, são inevitáveis, chegando, muitas vezes, aos organismos internacionais que regem as relações entre países. Mas o que se fez foi diferente: a obrigatoriedade de pagamento à vista das importações vai refletir junto aos importadores e, de certo modo, terá efeitos positivos para o produtor interno. É uma restrição, mas de caráter eminentemente interno.
Desde que o Brasil iniciou esta nova fase em sua vida econômica, com o plano de estabilização, muitas alterações de curso tiveram de ser adotadas, o que é natural. A economia exige uma permanente atenção, ainda mais em países que, como o Brasil, viviam sob uma intensa turbulência provocada pela inflação exacerbada, pela indexação que surgiu como uma alternativa considerada necessária para a convivência do surto inflacionário com o crescimento, mas que se tornou outro alimentador da espiral da inflação. O chamado Plano Real, uma inteligente formulação de verdadeira engenharia econômica, que acabou primeiro com a indexação antes do lançamento da nova moeda, trouxe também como fator complementar um acompanhamento permanente para superar os obstáculos que iriam surgindo no percurso. A adoção de novas medidas no decorrer da aplicação do plano era necessária, vital até para que o programa atingisse seus objetivos.
O estímulo às importações, ademais, não faz parte apenas da estratégia de abertura do mercado. Até devido às deficiências da produção interna, quadro agravado pelos vícios que provocam muita especulação, as importações têm sido utilizadas como um verdadeiro pêndulo para controlar o custo de vida. Sempre que havia a possibilidade de que o aumento da demanda, consequência em muitos casos da melhoria do poder aquisitivo da população, graças ao fim da inflação, pudesse provocar altas abusivas, a importação era estimulada para regulamentar o mercado. É óbvio, porém, que o próprio espírito do plano de estabilização é o de aumentar a produção interna para que seja possível manter o mercado estável, através do crescimento sustentado. Cada etapa do processo exige acompanhamento e eventuais medidas, como estas agora adotadas. É preciso entendê-las e assimilá-las de modo a perceber que todo o esforço tem como objetivo final a preservação da maior de todas as conquistas que tem sido precisamente a estabilidade da moeda, ponto de partida para qualquer programa macroeconômico destinado a garantir a melhoria de vida da população de todo o país.
A percepção relativa ao objetivo mais importante é necessária para que seja possível manter-se o rumo. O Brasil tem, ainda, um caminho muito longo a percorrer até que se possa considerar vitorioso na plenitude o programa econômico de estabilização. As etapas que vão sendo vencidas, todas elas eivadas de dificuldades e sempre reclamando sacrifícios e continuada atenção do povo, representam marcos estimuladores. Mas não podem fazer perder de vista o fato de que ainda será preciso muito trabalho, tanto do povo quanto das autoridades, para se atingir o objetivo pretendido. O que é extremamente válido é sentir que, embora ainda faltem medidas internas sérias por parte do governo, o acompanhamento relativo às necessidades do mercado a cada momento persiste, garantindo a convicção de que o programa governamental continua em seu rumo.

mockup